A cada 40 minutos, um aparelho de celular é roubado no Rio

Os pedestres até evitam falar ao  celular na rua com medo de ser roubado. E parte dos celulares roubados são comercializados tranquilamente dentro da caixa com vendedores no  Centro do Rio.
Sempre que sai de casa e seu celular toca, a confeiteira Nina Almeida (22), moradora da Zona Sul, pensa duas vezes antes de atender. Não por falta de vontade de falar com alguém, mas por lembrar uma experiência traumática que viveu em julho. Por volta das 18h30m, ela conversava com amigas na Rua Frei Leandro, no Jardim Botânico. Quando um assaltante, armado com um revólver, pegou todos telefones do grupo. Com uma bicicleta, ele levou menos de 20 segundos para praticar o crime e fugir.

A ação, flagrada pelas câmeras de segurança de um restaurante, se repete cada vez mais na cidade. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), apenas nos oito primeiros meses deste ano, aconteceu um roubo de celular a cada 40 minutos no Rio. Considerando apenas os registros feitos nas delegacias, ocorreram 8.855 casos de janeiro a agosto, contra 6.280 no mesmo período de 2016, o que corresponde a um aumento de 41%.

O total de vítimas como Nina é equivalente à população do município de Comendador Levy Gasparian, no interior do estado. A polícia nunca conseguiu recuperar o iPhone da confeiteira, e não se sabe se o roubo foi investigado de fato. Ela mesma se encarregou de rastrear o celular, que, somente dez dias após o crime, parou de emitir sinal. O último foi registrado no Centro, mais precisamente no camelódromo da esquina da Rua Uruguaiana com a Avenida Presidente Vargas.

Ao que tudo indica, o aparelho foi negociado ali. Há uma rede de receptadores que, além de vender telefones dos mais variados tipos, também os desmonta para comercializar as peças. Trata-se de uma atividade criminosa que cresce à medida que falta fiscalização.

Celular roubado é vendido na Uruguaiana

Nos últimos dias, equipes de reportagem foram a pontos de comércio ilegal de celulares. Incluindo bancas de camelôs na região da Rua Uruguaiana e boxes na Rua do Rosário e na Avenida Rio Branco. Nesses locais, há verdadeiras feiras de aparelhos, inclusive piratas (cópias de marcas famosas), e acessórios.

Os “funcionários” da rede de receptadores oferecem equipamentos dentro de caixas. Um desses vendedores, depois de desaparecer no camelódromo, voltou com modelos de várias marcas. Um smartphone de última geração, que não sai por menos de R$ 2.800 na loja, pode ser adquirido por R$ 350, um oitavo do valor normal.

– Vem com todos os acessórios – garante o homem.

Um levantamento do inspetor Fábio Craveiro, chefe do setor de investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), revela que traficantes de drogas estão migrando para uma rede de roubos de celulares. O trabalho, que teve início em 2014, identificou 250 pessoas envolvidas nesses crimes, das quais 90 foram presas. Em três anos, foram 700 roubos de aparelhos celulares em lojas, com um prejuízo total estimado em R$ 40 milhões para o comércio.

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