Crise na Uerj obriga comerciantes a fecharem seus negócios

A crise da Uerj, consequência da situação precária do Estado do Rio, não se restringe aos seus 7,5 mil funcionários e 30 mil alunos. Fora da universidade, bares e restaurantes amargam queda no movimento, prejuízos financeiros, demissões e até o encerramento das atividades.

As lanchonetes e centros de xerox que ficam no campus sentem igualmente a falta de clientes devido à paralisação das atividades. Junto a universidade, somam-se o funcionamento reduzido do Hospital Universitário Pedro Ernesto, algumas quadras à frente, e o Maracanã sem jogos. Todos, formam um quadro considerado pelos comerciantes, a maior parte instalada naquela área há mais de duas décadas, o pior já visto.

“Aqui me instalei há 26 anos. A Uerj já passou por algumas crises. Mas nenhuma como essa. No ano passado, só funcionou por três meses. O Maracanã só abriu por pouco mais de um mês depois da Olimpíada. E eu só no vermelho. Vendi um apartamento por R$ 800 mil e enterrei tudo aqui para não fechar, acreditando que a situação financeira do estado ia melhorar. Mas meu sonho está indo por água abaixo. Se a Uerj não voltar a ter aulas até mês que vem, terei de fechar”, lamenta o dono do Restaurante Rio 40°, José Manuel Correia Gonçalves, o único desse porte que ainda resta na região, depois que o Petisco da Vila e o Planeta do Chopp fecharam as portas recentemente, pelo mesmo motivo.

Os números da Uerj dão a dimensão do impacto no comércio local. Só no campus Maracanã, em tempos de aulas regulares, cerca de 30 mil pessoas transitam diariamente, o equivalente à população de uma cidade como Itatiaia, no Sul Fluminense, cujo Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes é de R$ 3,36 milhões ao ano. O orçamento da Uerj é infinitamente superior.

Para 2017, foi definido em cerca de R$ 1,1 bilhão, mesmo valor do ano passado, quando apenas 76% desse montante foram repassados pelo estado para a universidade, inviabilizando seu funcionamento. Como não há um prazo de quando o governo estadual voltará a transferir esses recursos, a universidade já adiou cinco vezes a volta às aulas em 2017. Com isso, o fluxo de pessoas é praticamente zero. Na sexta-feira (17), a reitoria da Uerj decidiu entrar na Justiça para cobrar os repasses do governo estadual.

Dentro do campus, os comerciantes que ainda mantêm seus negócios abertos demitiram todos os funcionários, passaram a conviver com dívidas, cortaram gastos com lazer e serviços essenciais, como plano de saúde e se desfizeram de bens. Só permanecem dando expediente no local porque alguns poucos laboratórios e programas de pesquisa com financiamento externo voltaram às atividades. O movimento de todos caiu pelo menos 90%.

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