UPP tem falência comprovada

As favelas com UPP no Rio registraram apenas de janeiro até março de 2017, 623 confrontos. O cálculo foi feito pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) e transmitido para a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa (Alerj).

Desde 2014 a quantidade de confrontos por trimestre nunca foi tão expressivo. Ao compararmos o primeiro trimestre de 2017 com mesmo período em 2014, os registros de trocas de tiros triplicaram em áreas intituladas de pacificadas pelo governo. Foram 702 só em 2017. O aplicativo Fogo Cruzado mostrou recentemente que das 10 favelas com os maiores registros de tiroteios, 8 são pacificadas.

UPP falha em apreensões

A falência também é notória quando o assunto é apreensão de drogas e armas. No primeiro trimestre deste ano foram 236 apreensões de drogas nas 38 favelas com UPPs, uma média de mais de duas diariamente. É o número mais baixo desde o terceiro de 2010, em que foram 217. Na época existiam 11 Unidades de Polícia Pacificadora.

A quantidade de armas recolhidas por UPPs no primeiro trimestre deste ano chega a 78. Representando uma média de uma arma a cada 47 dias nas 38 unidades de pacificação comunitária. O trimestre que mais teve apreensões foi o de 2016, com 114.

Objetivo era desinstalar 12 pontos de UPP

Todos estes dados fazem parte de um estudo realizado pelo Estado-Maior para analisar a situação das UPPs a mando da Secretaria de Segurança. Com essas informações o secretário Roberto Sá achou melhor manter todas as unidades, menosprezando o diagnóstico do trabalho. A pesquisa foi usada para sugerir o fim de 12 unidades.

Em agosto deste ano Sá declarou que 3 mil agentes sairão das UPPs para fortalecer a patrulha de zonas com altos números de criminalidades da Região Metropolitana. Segundo ele, a base da mudança está no estudo que orientou a exclusão de 12 pontos de UPP. Por último, ele disse na Alerj que “o projeto das UPPs não vai acabar”.

Como marca da polícia pacificadora, os policias do seguimento usavam uniformes diferentes no início do projeto. Mas desde 2015 o uniforme diferenciado das UPPs foi abandonado.

Outro estudo, o “UPP: Última Chamada -Visões e expectativas dos moradores de favelas ocupadas pela Polícia Militar na cidade do Rio de Janeiro”, feito pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes constatou que 66% dos moradores enxergam a UPP como um “projeto falido”. Mas 59,7% destes apoiam o tratamento da ocupação da polícia.

 

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