Cidadania

Integração de transexuais no mercado de trabalho é um desafio, entenda

Suellen Christine Sales da Silva
Escrito por Suellen Christine Sales da Silva em 20 de maio de 2020
Integração de transexuais no mercado de trabalho é um desafio, entenda

Segundo a OAB, 82% das pessoas transgêneras, transexuais e travestis não concluem os estudos. Inclusive, a cultura de violência e a discriminação são responsáveis pela alta taxa de evasão escolar desse público. Dessa forma, os transexuais não alcançam um currículo mínimo para competir por vagas, o que reforça o estigma e a exclusão. E a prostituição, muitas vezes, é o único caminho para a sobrevivência.

A coordenadora-geral de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos, Marina Reidel, explica que os transexuais geralmente deixam a escola e a família por serem desrespeitados ou sofrerem violência. “Com isso, a formação fica comprometida, e esses indivíduos carecem de um currículo mínimo para competir por uma vaga de emprego. Assim, permanecem à margem da sociedade“, acrescenta.

Por outro lado, o site Transempregos, voltado para a inclusão de profissionais trans no mercado de trabalho, mostra um crescimento de quase 300% de mão de obra trans. Quando a plataforma foi criada, em 2014, apenas 12 companhias queriam usar seus serviços. Atualmente, já são 46 empresas.

Entretanto, um dos maiores obstáculos para os transexuais inseridos no mercado de trabalho é o medo de demissão por causa da discriminação de colegas e superiores. Em algumas empresas, isto só será mudado por meio de uma mudança cultural. Esta, depende do envolvimento da alta liderança, responsável por comandar, disseminar e inspirar os demais funcionários a se abrir para o diferente.

Inserção dos transexuais no mercado de trabalho

Foi pensando na inserção dos transexuias no mercado de trabalho, que o Carrefour passou a investir em diversas ações para reafirmar a pluralidade como um valor dentro do grupo desde 2011. De lá para cá, a palavra “diversidade” foi introduzida no código de ética. Além disso, foi criada uma plataforma para discutir temas relacionados às minorias bem como há um esforço contínuo de inclusão de grupos, como os transexuais.

A empresa começou a apoiar o projeto Conexão Varejo, da ONG Rede Cidadã, que oferece treinamentos para transgêneros, transexuais e travestis e os encaminham a companhias parceiras. Desde 2015, o Conexão Varejo já formou 51 pessoas, das quais 17 foram contratadas pelo Carrefour, que emprega 30 transexuais no total. Paralelamente às admissões, todos os funcionários, incluindo a liderança, receberam treinamentos e cartilhas sobre o assunto.

Ademais, engana-se quem pensa que as empresas investem na inclusão dos trans apenas por questões afetuosas. Manter equipes diversas também é bom para o bolso das organizações. Prova disso é o dado divulgado no estudo Diversity Matters, da consultoria McKinsey. Este mostra que, em média, as companhias com times plurais têm desempenho 57% melhores do que a indústria em geral

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