Jornalista vive 6 meses disfarçada na Coreia do Norte

A jornalista Suki Kim, que cresceu na Coreia do Sul e é cidadã americana, deu aulas de inglês em uma universidade privada na Coreia do Norte em 2011.

Em entrevista ao G1, Kim disse que a instituição de ensino era em Pyongyang. Na qual estudam filhos homens da elite norte-coreana, “os futuros líderes do país”. Ela passou 6 meses vivendo no campus da universidade tomando notas para convertê-las no livro ‘Without You, There Is No Us: My Time with the Sons of North Korea’s Elite’ (Sem você, não há nós: meu tempo com os filhos da elite norte-coreana), publicado em 2015.

O interesse da jornalista pela Coreia do Norte

Como jornalista, ela tinha uma frustração por não saber a verdade sobre o que ocorre neste lugar, o que é uma enorme tragédia. Enquanto sua família foi separada pela guerra das Coreias em 1950, o que trouxe a razão pessoal.

‘’Essa guerra e a posterior divisão da península separaram milhões de coreanos. Meu tio, irmão da minha mãe, ficou no norte, e minha avó nunca voltou a vê-lo. O mesmo ocorreu com os primos do meu pai.‘’ Comentou Kim.

Foi assim que ela começou a buscar uma oportunidade para poder entrar e viver na Coreia do Norte. Durante uma década esteve fazendo uma pesquisa sobre o país. Também falou com quase 100 desertores em países vizinhos: China, Mongólia, Tailândia e Laos.

Nesta época, ela entrou por períodos curtos na Coreia do Norte, mas o que buscava era a possibilidade de poder viver ali, incógnita.

‘’O governo tem que aprovar tudo o que ocorre na universidade. Eles selecionam os estudantes, que são principalmente filhos dos funcionários do partido dirigente. Na Coreia do Norte, o governo decide tudo sobre o indivíduo: a carreira que seguirá, a escola onde estudará, as atividades que fará.’’ Comentou Kim.

Universidade que jornalista viveu é vigiada por militares

A universidade era vigiada por militares e ninguém tinha permissão para sair. O governo define as escoltas que vivem com os professores no campus e seu trabalho é monitorá-los 24 horas por dia. Kim foi vigiada dia e noite.

Tudo o que Kim fazia e ensinava devia ser aprovado, monitorado e gravado. ‘’Vivi o tempo todo aterrorizada. Se não tivesse escrevendo o livro, minha situação teria sido diferente, mas estava tomando notas em segredo e sabia que nunca ninguém tinha tentado fazer isto no país.’’ Disse a jornalista.

Ela mantinha suas notas em memórias de USB e sempre as levava com ela. Todos os dias apagava tudo do seu computador e não deixava nenhum rastro do seu trabalho.

Os lugares para onde a levavam pareciam cenários de filme e nunca havia pessoas nesses lugares. Todos os lugares estavam cobertos com milhares de slogans do Grande Líder.

O controle no país é algo muito forte. Controlam cada aspecto da vida e tudo está relacionado ao Grande Líder. ‘’Depois de toda a investigação que tinha feito sobre a Coreia do Norte, nunca tinha imaginado que pudesse existir um controle tão grande. A realidade é pior do que se pode imaginar.’’ Finaliza Kim.

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