Lojas tradicionais do Rio fecham definitivamente as portas

Devido a atual crise no país, cerca de 23 lojas fecham as portas por dia. Centro, Barra e Jacarepaguá são os bairros com o maior número de baixas.
Que mãe, próximo a um novo ano letivo, nunca enfrentou o burburinho de uma das sete lojas da Casa Cruz, atrás de livros escolares para seus filhos? E que noiva não sonhou colocar sua lista de presentes de casamento na Roberto Simões? Lojas tradicionais como essas estão fechando definitivamente as portas.

Essas deixam um sentimento de saudade e até de indignação em antigos frequentadores e admiradores. A crise econômica que provoca desemprego e retração nas compras não é a única causa de tantas despedidas.

O diretor-secretário da Federação do Comércio do Estado do Rio (Fecomércio RJ), Natan Schiper, aponta a falta de segurança, a ocupação das ruas por camelôs, a alta carga tributária e os aluguéis caros como outros fatores que provocaram o fechamento de pelo menos 22.411 estabelecimentos comerciais de bens, serviços e turismo na cidade. Entre janeiro de 2015 e agosto de 2017, uma média de 23 por dia.

Além disso, os dados de fechamento disponíveis são subestimados. A Junta Comercial só dá baixa no cadastro quando a empresa não deve mais nada de impostos, a funcionários e a fornecedores. Tem empresa que fecha devendo muito. Ou seja, ela deixa de funcionar, mas oficialmente continua como ativa, explica Schiper.

A gravidade da situação se reflete numa pesquisa feita pelo Centro de Estudos do Clube dos Diretores Lojistas (CDL-Rio). A pesquisa mostra uma redução de 7,3% nas vendas do comércio varejista. No acumulado de janeiro a julho deste ano, em comparação com os mesmos sete meses de 2016. Foi a maior queda para o período desde 2003.

A crise financeira e a falta de segurança provocam o fechamento de lojas

Os bairros com maior número de estabelecimentos que deram baixa na Junta Comercial, de janeiro de 2015 a agosto de 2017, foram Centro (3.316), Barra (2.217), Jacarepaguá (1.700), Campo Grande (901) e Copacabana (990). Em todos esses bairros, no entanto, o número de abertura de lojas foi maior que o de fechamento.

Na contramão dessa média, Pavuna, Costa Barros, Deodoro, Mallet, Vila Kennedy, Largo do Machado e Bairro de Fátima aparecem como lugares onde aconteceram mais fechamentos que aberturas, segundo dados da Fecomércio.

A situação mais grave está na Pavuna, provavelmente por causa da violência, um problema que aterroriza comerciantes e moradores. Lá, 135 lojas encerraram as atividades desde janeiro de 2015, e apenas 22 abriram as portas no mesmo período.

A crise financeira e a falta de segurança provocam o fechamento de estabelecimentos comerciais. Mas também incentivam a busca de alternativas para manter o negócio de pé. Presidente do CDL e do SindilojasRio, Aldo Gonçalves, conta que algumas lojas cariocas passaram a ser fisicamente divididas entre proprietários para reduzir gastos com aluguéis e tributos. Seguindo um conceito de reestruturação administrativa já usado em outros países e denominado downsizing (redução de tamanho).

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