Mortes no RJ por ação policial crescem e 78% das vítimas são pretas

As mortes no RJ derivadas de ações policiais aumentaram nos últimos 22 anos. De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ), 741 pessoas morreram nos cinco primeiros meses de 2020, o que equivale a quase cinco pessoas mortas diariamente. Além disso, os índices mostram que 78% das vítimas são pretas ou pardas.

De todos os dados registrados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ), os cinco primeiros meses de 2020 têm o maior número de vítimas causadas por policiais no RJ desde 1998. No ano passado, foram 732.

A especialista em segurança pública e socióloga Sílvia Ramos afirmou que os números se consolidaram a partir de 2018, quando houve a intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro.

O que nós verificamos é que, em 2018, o ano de intervenção militar, consolidou-se uma política de segurança baseada em operações de conflito. Quando chega a intervenção, chega uma ‘coisa militar’ declarada. Muito parecido com as operações de guerra e deixa de lado a inteligência“, afirmou Sílvia.

Por outro lado, apesar de haver números altos das mortes no RJ por intervenção policial, o índice de homicídios caiu. Em maio, foram 273, o segundo menor número registrado desde 1991.

O delegado Antônio Ricardo Nunes, responsável pelo departamento que investiga este crime, afirmou que um dos fatores que causaram essa queda foi o número de prisões realizadas no início de 2020. Foram 225 criminosos capturados, sendo 106 traficantes ou milicianos.

Ademais, o ISP-RJ informou também que foram registrados 1.639 vítimas de “crimes violentos letais intencionais”. Este índice, contabilizado nos cinco primeiros meses de 2020, foi o menor para o período desde 1999.

A saber, estes crimes abordam estatísticas de homicídio doloso, roubo seguido de morte e lesão corporal seguida de morte. Em maio, houveram 279 ocorrências deste tipo no RJ.

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