Uerj se afunda ainda mais com a crise do Rio

A Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) enfrenta um 2017 pior que 2016. Na última semana, as aulas que eram aguardadas para terça-feira (1°) foram suspensas por tempo indeterminado. O que prejudica ainda mais a situação dos 43 mil alunos da universidade.

A quinta maior universidade do Brasil recebeu apenas 65% do orçamento previsto em 2016, algo que se repete em 2017. A dívida do estado com a instituição já ultrapassa R$ 350 milhões. Foi o que divulgou o G1.

Os funcionários estão com quatro meses de salários atrasados. Sobre isso, a Secretaria de Estado e Fazenda declarou que o pagamento dos docentes depende da entrada de recursos no caixa estadual.

O acordo de recuperação fiscal será imprescindível para a regularização dos salários dos servidores”, disse o órgão.

A crise fiscal do Rio de Janeiro acontece também por causa de um fator em particular: a baixa do preço do petróleo. Com a perda do valor que o estado recebia pelos royalties, o governo perdeu muito com o volume dos gastos que realizava contando com dinheiro que recebia. As despesas com funcionalismo eram R$ 20 bilhões em 2011 e saltaram para R$ 31,6 bilhões em 2015. O mesmo ano em que a crise da Uerj começou a se agravar.

Aluno entra em campus da Uerj, no Rio

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Nesse ano também começou a faltar verba para pagar trabalhadores terceirizados de limpeza, manutenção e segurança. No fim de 2016, professores e funcionários passaram a sofrer o mesmo drama e atrasos de salários viraram regra. Um vestibular foi adiado por três meses e a universidade entrou em greve.  A crise fez ainda com que o fim do segundo semestre de 2016 fosse realizado apenas em julho de 2017.

No último dia 3 os professores da universidade realizaram um protesto na porta do Campus Maracanã. O motivo foi contra o atrasos de salários, bolsas acadêmicas e a busca por melhorias nas condições de trabalho. Os docentes entraram em greve no dia 1º de agosto e a próxima assembleia dos professores será em 17 de agosto.

Instituto de pesquisa da Uerj deixou de receber R$ 80 milhões

Os pesquisadores da Uerj deixaram de receber R$ 80 milhões nos últimos dois anos. Foi o que revelou Ruy Garcia Marques, reitor da universidade. Esse valor seria destinado a projetos aprovados pela Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) desde 2015.

O setor criado para estimular a pesquisa e a formatação científica e tecnologia recebeu apenas 26% do orçamento previsto para todo ano de 2017. O esperado era R$ 537 milhões e só entrou R$ 139 milhões na conta.

Prejuízo também para a professora Stela Guedes Caputo (50) que postou a foto do extrato bancário zerado no Facebook. Ela declarou que não tinha como pagar a passagem até a universidade pública a qual dá aulas há cinco anos, a Uerj. Junto da foto ela postou um texto de protesto contra os atrasos salariais. A publicação já teve mais de 1,5 mil compartilhamentos.

Resultado de imagem para professora da uerj tira foto do extrato bancário

Foto: Reprodução – Stela Guedes Caputo

É como estar desempregada, só que trabalhando. Eu quis mostrar porque não sei se todo mundo entende o que estamos passando”, escreveu ela. “Ver aquela conta zerada, o que nunca tinha acontecido comigo, foi um soco no coração”, declarou Caputo.

O orçamento estadual previa um repasse de R$ 1,1 bilhão à universidade em 2016. Mas só R$ 767,4 milhões foram entregues. De acordo com o governo essa diferença de valor foi por causa da “crise finanças estaduais, provocada pela significativa queda na receita de tributos em consequência da depressão econômica do país, pelo recuo na arrecadação de royalties e a redução dos investimentos da Petrobras”.

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