Vestibular online causa transtorno durante a pandemia

O vestibular online é um obstáculo para os alunos durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo um estudo da Casa Fluminense, mais de 2,3 milhões de estudantes, que vão prestar o Enem ou qualquer outro vestibular, não têm computador em casa. Além disso, de acordo com a Unesco, a pandemia afetou os estudos de quase 53 milhões de pessoas.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, reclama da desigualdade de condições e cobra políticas que igualem as possibilidades entre os concorrentes que prestam vestibular online.

Sem aula presencial, há prejuízo. Mas, para tentar reduzir, eu acho que o governo deveria ter um programa de disponibilização de internet, equipamentos ou até mesmo livros e materiais mais completos, didáticos. Muitos desses jovens não têm nem livro em casa. Às vezes, o único livro que eles têm é o que pegaram na escola“, explicou Iago.

Por outro lado, para ajudar uma parcela dos estudantes, a Cogna Educação criou uma plataforma gratuita chamada Trilha do Enem. A gerente de Marketing Digital da Cogna, Diana Mourão, explica que o ensino é feito de forma personalizada. Além de “simular em quais faculdades e cursos o estudante passaria com base na performance nos simulados da plataforma“.

Já as faculdades privadas “estão se programando e se estruturando para ofertar um vestibular online“. Isto, segundo o diretor executivo da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior, Sólon Caldas.

As faculdades Estácio, Multivix, Rede de Ensino Doctum e UVV oferecem vestibular online além de inscrição e matrícula. Já as faculdades UniSales e PIO XII pretendem usar a nota do Enem como forma de acesso.

Entretanto, a realidade dos estudantes é desfavorável. De acordo com Rodrigo Santos, coordenador de uma rede gratuita de ensino popular, manter o vestibular online é um crime contra os alunos.

Os alunos não têm mais acesso à biblioteca, dificilmente têm livros físicos, um em cada cem tem computador em casa. 98,97% acessam a internet pelo celular. Não têm internet, wifi“, destacou Rodrigo.

Alunos são prejudicados com o vestibular online

A antropóloga, Yasmim Monteiro, da Casa Fluminese, explica que os alunos precisam compartilhar ambientes dentro das casas para poder estudar. Além disso, “[eles] não têm um ambiente silencioso para estudar, estão fazendo leituras e atividades escolares através de celulares, com toda limitação que isso impõe e, muitas vezes, têm que dividir seu horário do dia com atividades profissionais, com cuidados com família, com filhos e outras atividades necessárias para a sobrevivência, que ficam ainda mais desafiadores nesse ambiente de isolamento social“.

Em Belford Roxo no Rio de Janeiro, por exemplo, o número de alunos sem acesso a um computador é o maior na Região Metropolitana. Isto, dificulta o estudo. Assim sendo, pouco mais de 9 mil alunos se preparam para as provas do Enem. Enquanto, mais de 4 mil tem dificuldade de acesso ao conteúdo online.

Em Japeri, também na Região Metropolitana, 47% dos alunos não tem acesso a um computador. Em Queimados, Guapimirim e Magé, na Baixada Fluminense, o percentual chega a 42%. Duque de Caxias e Nova Iguaçu, também na Baixada, são quase 40%.

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