Cirurgias plásticas foram a quarta queixa nas indenizações por erros médicos

As cirurgias plásticas têm sido o grande assunto do momento devido as irregularidades obtidas por “falsos médicos”. Saiba mais sobre algumas questões e casos.

“Por que minha mãe foi fazer isso? Podia estar aqui com a gente”. Foi o que comentou outro dia a pequena Júlia (6) com a avó materna, informa o site O Globo. Nas palavras da menina, a advogada Juliana Alves Barbosa virou “uma estrelinha no céu”. A ex-mulher do cantor Ferrugem morreu em 2015. Na ocasião, Juliana (27),veio a óbito após fazer uma cirurgia estética múltipla, numa clínica em Icaraí, Niterói.

Um tempo depois, aproximadamente 24h, Juliana morreu de embolia pulmonar. O mesmo problema que também pode ter levado a morte da bancária Lilian Calixto. Ela foi uma das pacientes do médico conhecido como Dr. Bumbum, o Denis Furtado, que se encontra preso.

Cirurgias foram a principal queixa na Justiça em janeiro de 2018

O site GLOBO informa, que neste ano outros 484 processos de reparação de danos morais e materiais por erros médicos foram abertos no estado. Em janeiro, as cirurgias foram a quarta principal queixa na Justiça, deixando para trás apenas os assuntos: parto, procedimento ortopédico e odontológico.

Um levantamento feito por repórteres do GLOBO no Tribunal de Justiça, baseado nos processos cíveis de Segunda Instância, julgados nos últimos dez anos, mostra ainda que casos como o de Juliana são mais comuns do que se imagina. A cada 22 decisões de ações de indenização por erro médico, uma se refere a cirurgia plástica.

Checar se o médico responde a processos é fundamental antes de realizar cirurgias, diz especialista

Uma estrangeira comerciante que vive no Rio há 30 anos passou por um procedimento para correção dos seios. Ela declarou que eles estavam flácidos e procurou um consultório em Ipanema. A primeira cirurgia não deu certo, um seio ficou mais alto que o outro. A estrangeira passou por três procedimentos para tentativa de correção e não obteve sucesso.

“No ano passado, fui operada de novo. A médica me cortou de ponta a ponta. São muitas cicatrizes e queimaduras, porque ela usou esparadrapo, apesar de saber que sou alérgica. Hoje, não uso decote nem namoro. Tenho vergonha do meu corpo.” diz a mulher, de 48 anos, que, este ano, resolveu processar a cirurgiã, com pós-graduação em estética, mas sem residência em cirurgia plástica.

O desembargador César Cury, presidente do Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça, afirma que é preciso se informar antes da cirurgia. Disse ainda que deve-se checar dados nos conselhos de medicina e se o médico responde a processos antes de uma cirurgia.

“Alguns indicadores não são confiáveis. Um dos mais usados é o número de seguidores que o profissional tem em redes sociais.” Ninguém vai para a internet para expor seus fracassos — finaliza, Cury.

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