Mortes maternas: a maioria são de mulheres negras jovens

Mais da metade (54,1%) das mortes maternas no Brasil ocorrem entre mulheres negras jovens entre 15 e 29 anos. Elas têm o dobro de chances de morrer devido as causas entre o parto e pós-parto.

A informação foi citada pela doutora em saúde pública Fernanda Lopes. Isso, durante a 4ª Conferência Nacional da Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR). O evento aconteceu entre os dias 27 e 30 de maio deste ano, em Brasília. Estiveram presentes também especialistas, pesquisadores e ativistas da causa racial de vários estados.

Fernanda ressalta: “Estas mulheres morrem com uma frequência maior, prioritariamente por hipertensão, um problema que poderia ser identificado lá no pré-natal. Mas, estas mulheres são as que menos têm informações, que com mais frequência têm o pré-natal considerado inadequado e são aquelas que mais peregrinam até conseguirem vaga na maternidade para dar à luz.”

Em resumo, a pesquisadora explica que as mulheres negras têm menos privilégios relacionados a gestação. Alguns exemplos são a falta de recursos para alívio da dor durante o parto, tomar água, tomar banho, andar e até receber massagem. Ainda existe a falta de opção se pode ou não, ser anestesiada. Além disso, de acordo com dados coletados e apresentados por Fernanda, essas mulheres também estão mais sujeitas a ouvir expressões discriminatórias pelos agentes de saúde. Como do tipo: “na hora de fazer, não reclamou”.

Há diferença no atendimento pós parto para as mulheres negras em relação às mulheres brancas

No pós parto, as pesquisas também apontam desvantagens das mulheres negras em relação às mulheres brancas. “Em uma avaliação da estratégia da família e da Rede Cegonha se observou que eram as mulheres mais jovens e negras que recebiam com menos frequência a visita da equipe de saúde da família durante o período de puerpério”, finaliza.

A pesquisadora Fernanda faz uma sugestão. Segundo ela, o Brasil precisa dar mais atenção e melhorar as pesquisas sobre as percepções das pacientes em relação as atitudes discriminatórias nos serviços de saúde. Com o intuito de enfrentar de vez esse problema.

Informações da Agência Brasil.

Deixe uma resposta