Zona de Guerra: 4 hospitais do Rio atendem 3 baleados por dia

Um levantamento feito pela Secretaria de Saúde apontou que nos Hospitais Municipais Miguel Couto, Souza Aguiar, Salgado Filho e Lourenço Jorge entram, em média, 1 baleado a cada 8 horas. Isso significa 1.133 casos no ano passado, ou seja, um aumento de 57,3% em relação à 2015, quando foram registrados 720 atendimentos a vítimas de armas de fogo.

Entre as 4 unidades hospitalares, o recordista foi Hospital Salgado Filho, no Méier, que recebeu 504 casos. Para o especialista em medicina de guerra, Doutor Rodrigo Gavina, os números impressionam, mas não representam a realidade.

“Temos de levar em consideração que, na estatística, não estão incluídos dados de outros hospitais públicos e privados da cidade do Rio. Os do estado, por exemplo, recebem muitos baleados. E vale destacar que 90% das pessoas atingidas por disparos de fuzis morrem na rua, sequer são levadas para emergências”, afirma Gavina, acrescentando que casos de pacientes baleados sobrecarregam as unidades de saúde, já que precisam de mais tempo de tratamento e exigem atendimento imediato, o que provoca o adiamento de cirurgias de outras pessoas.

O último relatório de casos de balas perdidas foi divulgado em 2012, isso porque o Instituto de Segurança Pública (ISP) deixou de contabilizar as ocorrências. No entanto, segundo especialistas, a contagem poderia ajudar as Polícias a traçarem novas estratégias de combate ao porte ilegal de armas de fogo, já que não somente os assaltos, mas como os conflitos, fazem parte do cotidiano carioca.

De acordo com a Presidente do ISP, Joana Monteiro: “As ocorrências de balas perdidas continuam sendo contabilizadas, mas com uma abordagem diferente. A gente tem uma gestão muito dedicada à letalidade violenta, essa é a principal questão a ser estudada no Rio. O Instituto de Segurança Pública faz um esforço maciço de georreferenciamento de todos os casos de letalidade violenta no Rio. Estamos finalizando um estudo de motivação de homicídios. Fizemos uma amostra representativa da letalidade na Região Metropolitana, olhamos os inquéritos e identificamos, em uma amostra de 470 casos, que 1% foram casos de bala perdida. O principal motivo dos homicídios no Rio é o tráfico de drogas. Mas sabemos a importância do problema (das balas perdidas). A última pesquisa de vitimização feita no Rio, em 2007, revelou que o maior medo do cidadão fluminense é ser atingida por uma”.

 

Fonte: O Globo

Deixe uma resposta