Acidentes em rodovias aumentam após retirada de radares

Os acidentes em rodovias do país aumentaram após a retirada de radares móveis. De agosto a outubro, o total de óbitos aumentou 2% e o de feridos, 9,1%, ante o mesmo período do ano passado. A mortalidade na malha federal apresentava tendência de queda desde 2011.

Ao mandar suspender o uso de radares móveis, em 15 de agosto, o governo Bolsonaro justificou que o objetivo era “evitar o desvirtuamento do caráter pedagógico“. Bem como evitar a “utilização meramente arrecadatória dos instrumentos e equipamentos medidores de velocidade“.

Como resultado, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no período de 16 de agosto a 19 de novembro, houve um aumento de 190 acidentes na comparação com o mesmo período do ano passado. Assim, os acidentes com morte aumentaram de 53 para 56 no mesmo período.

Não há outro fator que explique o aumento em mortos e feridos este ano, que não seja a retirada do radar“, diz Rodolfo Rizzotto, coordenador da SOS Estradas.

Ademais, desde 15 de agosto, quando o uso do radar móvel foi suspenso, 55,7 mil quilômetros de estradas, equivalentes a 85% da malha pavimentada, ficaram sem fiscalização eletrônica de velocidade. Em outros 9,7 mil quilômetros, apenas 332 radares fixos, quase todos em rodovias concedidas à iniciativa privada, aplicaram multas por essa infração.

Consequências dos acidentes em rodovias

Anualmente morrem mais de 40 mil vítimas de acidentes em rodovias e outras 300 mil ficam lesionadas“, alerta Silvio Médici, da Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito. Dessa forma, acrescenta, os acidentes criam prejuízo anual de R$ 50 bilhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O motorista se sente livre para correr, o que aumenta o risco“, afirma Francisco Garone, diretor do Observatório Nacional de Segurança Viária.

A saber, a PRF informou que irá tomar medidas para que os radares estejam prontos para uso no novo prazo, dia 23. Na Justiça, a PRF alegou dificuldade na distribuição dos equipamentos para unidades “nos mais diversos rincões do país”, além da necessidade de aferição e habilitação. Segundo a PRF, esses procedimentos são obrigatórios.

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