Anvisa pode fechar se liberar o uso da Cannabis para medicamentos

O Ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB), falou sobre a possibilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fechar as portas se liberar o cultivo da Cannabis para produção de medicamentos. Em entrevista ao portal JOTA realizada na última terça-feira (23) ele deixou claro que não aceita que a regra sobre cultivo de cannabis no Brasil seja aceita.

De acordo com o ministro, o presidente da Anvisa, William Dib, “está completamente comprometido com a causa da liberação”. Osmar Terra acredita que liberar o plantio de maconha vai abrir as portas para o consumo generalizado e aumentar a dependência química entre jovens.

Pode ter ação judicial. Pode até acabar a Anvisa, sei lá, entendeu? A Anvisa está enfrentando o governo. É um órgão do governo enfrentando o governo. Não tem sentido. E o governo não está se baseando em teorias esdrúxulas, está se baseando em ciência. Em 198 países do mundo é proibido plantar maconha. Todos são malvados? É a experiência da vida“, afirmou o ministro, na entrevista.

Terra defende o uso de medicamentos com Canabidiol sintético, sem THC, substância que ele aponta como maléfica, mas que segundo especialistas é a junção do THC com o Canabidiol que trazem benefícios aos pacientes.

O ministro visa retirar do mercado o Mevatyl (único medicamento à base de Cannabis registrado na Anvisa) assim que o medicamento à base de sintético seja aprovado.

Anvisa: entenda a regra para o cultivo

Pacientes com Epilepsia, autismo, dor crônica, doença de Parkinson e alguns tipos de câncer costumam gastar em torno de R$2.000 em medicamentos à base de Cannabis para tratar as doenças.

Desde 2015 a Anvisa autoriza a importação de óleos e medicamentos à base da Cannabis, pois são reconhecidos por ter efeitos terapêuticos para doenças citadas acima.

O cultivo da maconha é proibido no Brasil, mas a lei 11.343, do ano de 2006 prevê a possibilidade de que a União autorize o plantio para fins medicinais e científicos em local e prazo determinado, mediante fiscalização.

Em 21 de junho a Anvisa entrou com uma consulta pública sobre a regulamentação. O objetivo é fazer o plantio em galpões sem identificação, com portas de segurança e com acesso controlado por biometria. Tudo feito por uma empresa regulamentada.

Após o cultivo a planta será encaminhada para um laboratório farmacêutico que será responsável pela produção de extratos e medicamentos. A planta se não poderá ser cultivada por pessoa física e não será permitido o uso recreativo.

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