Cidadania

Arariboia, o protetor da Baía de Guanabara

Kaio Serra
Escrito por Kaio Serra em 2 de julho de 2017
Arariboia, o protetor da Baía de Guanabara

Nascido onde seria a atual Ilha do Governador, Arariboia é dito como herói por uns, vilão por outros. Sua história é repleta de mitos e lendas.

Carioca da Ilha de Paranapuã ( hoje Ilha do Governador ), sua data de nascimento é uma incógnita. Filho do chefe temiminó, Maracajá-guaçu, teve suas terras roubadas pelos Tamóios, em 1555. Fugiu com os sobreviventes de sua tribo para a Capitania do Espirito Santo, onde foi catequizado pelos Jesuítas. Arariboia lutou ao lado dos portugueses contra os neerlandeses.

Arariboia, o protetor da Baía de Guanabara
Fonte: Arariboia catequizado. Gravura: Wikipédia

Seu nome é em homenagem à cobra-papagaio, conhecida por ser a mais bela cobra da fauna brasileira. Com a morte de seu pai, Arariboia herdou o comando de um exército de mais de 8.000 guerreiros indígenas. Isso despertou o interesse dos portugueses. Mem de Sá, o terceiro governador geral do Brasil, utilizando-se da rivalidade entre a tribo de Arariboia e os Tamoios, solicitou aliança. Os tamoios eram aliados aos franceses, que por sua vez eram rivais dos portugueses.

Os Tamoios dominavam grande parte do litoral norte do Estado do Rio. Campos dos Goytacazes recebe esse nome por ter sido um dos últimos refúgio dos Tamoios, também denominados de Goytacazes. Os franceses, liderados por Nicolas Durand de Villegagnon, fundador do Forte Villegagnon, conseguiu aliança com mais de 70.000 Tamoios.

Mem de Sá, ao descobrir a aliança, solicitou que seu sobrinho, Estácio de Sá, montasse um exército formado por mercenários, portugueses e indígenas temiminós. Este exército ficou sob o comando de Arariboia. Responsável pelo massacre de 20 de janeiro de 1567, em Uruçumirim, no atual outeiro da Glória. Neste dia, mais de 7 mil franceses e tamoios foram mortos cruelmente.

Arariboia, o protetor da Baía de Guanabara
Arariboia lidera os portugueses contra os Tamoios. Reprodução: Mundo Peculiar

 

Arariboia teria invadido o forte inimigo com apenas uma tocha nas mãos. Neste quartel, milhares de famílias moravam sob a tutela dos franceses. Arariboia, explodiu o paiol, e abriu a entrada para mais de 10 mil soldados e guerreiros aliados. Nesta batalha, Estácio de Sá teria sido atingido por uma fecha envenenada no rosto. Por conta deste ferimento, veio a falecer dias depois por infecção generalizada.

O chefe Temiminó é acusado de ordenar a execução de prisioneiros franceses e tamoios, além do estupro e saques em massa. Por conta desta vitória, a Cidade do Rio de Janeiro, que havia sido fundada em 1565 por Estácio de Sá, teve a sua existência assegurada. Este fato fez com que a Coroa Portuguesa entregasse à Arariboia todo o atual Bairro de São Cristóvão. Posteriormente, ao aniquilar os Tamoios, em Campos dos Goytacazes, teria recebido a região do atual município de Niterói. Desta forma, ficou incumbido de proteger a Baía de Guanabara.

Arariboia, o protetor da Baía de Guanabara
Arariboia e Estácio de Sá ( com o ferimento no rosto ), discutem a divisão das terras. Reprodução: Mundo Peculiar.

Já idoso e convertido ao cristianismo, Arariboia ainda foi protagonista de um fato curioso, e pouco conhecido da história fluminense. Em um encontro com Antônio Samela, o velho cacique teria cruzado as pernas ao se sentar. Desta forma, o Novo Governador Geral o repreendeu. Arariboia então disse: “Minhas pernas estão cansadas de tanto lutar pelo seu Rei, por isto eu as cruzo ao sentar-me, se assim o incomodo, não mais virei aqui!“.

Arariboia morreu em 1589, vítima de varíola. Há na cultura popular uma lenda de que o chefe Temiminó estaria pescando em um barco na Baía de Guanabara, quando os espíritos daqueles que ele assassinou, viraram a embarcação. E seu corpo nunca teria sido encontrado.

É considerado o fundador da cidade de Niterói. Uma estátua sua, erguida em 1965, pode ser vista em uma praça homônima no Centro da cidade, de frente para estação das barcas. Seus olhos estão voltados para a baía de Guanabara e protegendo a cidade de Niterói às suas costas. A antiga sede da prefeitura municipal tem o nome de Palácio Arariboia em sua homenagem. Dotado de grande personalidade, teria servido de inspiração ao escritor brasileiro José de Alencar  na confecção de sua obra O Guarani (1857).

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