Aumenta o percentual de mortes de motociclistas

Aumentou o percentual de mortes de motociclistas em acidentes de trânsito no Brasil. O índice subiu de 8,3% em 2000 para 24,8% em 2008, ano da implantação da Lei Seca, e chegou até 33,4% em 2017. Isso, segundo o Boletim Proadess (Projeto de Avaliação de Desempenho do Sistema de Saúde), elaborado pelo Laboratório de Informação em Saúde (ICICT) da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em quinze anos, foram registradas em torno de meio milhão de mortes nos diversos tipos de acidentes de trânsito. Em 2010, o sistema do Ministério da Saúde registrou perto de 41 mil mortes no trânsito.

O médico Josué Laguardia, pesquisador do ICICT e responsável pelo estudo, disse em entrevista para o site Diário da Amazônia, que vários fatores influenciam na morte em acidentes com motocicletas. São veículos que apresentam menor proteção para o motorista e o passageiro, do que um veículo automotor, como carro, caminhão ou ônibus. Segundo Laguardia, isso piora se ele não está usando capacete, luvas, botas, jaqueta adequada. “Tudo isso pode agravar o risco de um acidente ser fatal”, completou.

Laguardia acrescentou que é um conjunto de fatores que, inter-relacionados, pode aumentar o risco de acidente. E, no caso do motociclista, esse acidente pode ser mais grave por ele estar menos protegido. Assim como ocorre com o pedestre também.

Aumenta o percentual de mortes de motociclistas e gastos do SUS

A elevação da taxa de mortes em acidentes com motociclistas repercute também em termos de aumento de gastos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Josué Laguardia, em entrevista para a revista Isto É, disse que além de ter profissionais para assistência no local do acidente e para fazer o atendimento adequado às vítimas no estabelecimento hospitalar, os acidentados exigem muitas vezes uma equipe de profissionais para fazer a reabilitação.

O Boletim Proadess revela que dos R$ 260 milhões gastos pelo SUS em 2017 com internações por acidentes de trânsito, em torno de 63% foram destinados a motociclistas. O percentual mais elevado está no Nordeste (75,8%) e o menor na Região Sul (50,4%). Os motociclistas representavam 40% das pessoas internadas por acidentes em 2008 e passaram a representar mais de 50% em 2017. Laguardia disse que esses gastos excluem atendimento pré internação e pós-internação.

O Boletim Proadess destaca que a maior parte das mortes envolvendo motos abrange a população jovem entre 20 e 39 anos de idade. Cerca de 45% são óbitos do sexo masculino e 35% do sexo feminino.

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