Bienal do Livro Rio 2019: o guia básico do que aconteceu

A Bienal do Livro Rio 2019 contou com debates sobre temas como democracia, feminismo e diversidade que atraíram mais de 600 mil pessoas. No total, mais de 4 milhões de livros foram vendidos. Deste modo, o evento será lembrado pela renovação, inclusão, recorde de visitação e protestos.

A 19° edição da Bienal do Livro Rio 2019 ficou marcada pela renovação. Além de mudar seu logo e seu slogan, a planta do evento foi redesenhada para maior conforto do público e dos expositores. Entretanto, não só a renovação estética será lembrada como também os temas abordados nos espaços culturais.

Com o intuito de homenagear o Japão, o evento escolheu o país, no ano de 2019, para ter um espaço dedicado. Assim, diversos autores vieram mostrar a rica literatura japonesa, e com isso, o público teve a oportunidade de se aproximar de elementos da cultura nipônica, além de conhecer um pouco mais sobre mangás e games.

Assim também, a Bienal destacou à competência feminina no mercado. Cinco mulheres importantes no cenário editorial ficaram responsáveis pelos espaços culturais. Sendo assim, a premiada autora de livros, novelas, filmes e séries Rosane Svartman, ficou responsável pela Arena Jovem; o trio Martha Ribas, Carolina Sanches e Rona Ranning, do coletivo Ler Conecta, ficaram a cargo do Fórum de Educação e Mànya Millen estreou no comando do Café Literário.

Principalmente, o maior evento literário do país, teve como vertente a inclusão. E com finalidade de promover a conscientização e evitar o bullying, o cartunista Mauricio de Sousa aproveitou para lançar um novo personagem que se chama Edu e tem uma doença rara. Além disso, o evento contou com traduções simultâneas em libras nos debates e livros em braille, em alguns estandes.

Bienal do Livro Rio 2019 recebe autores inéditos e protestos

A saber, mais de 300 convidados e autores nacionais e internacionais passaram pela Bienal do Livro este ano. Contudo, o que chamou atenção foram dois autores inéditos: Léo Motta, ex-morador de rua e um menino de apenas 5 anos, chamado Tiago Vilariño. Ambos os autores aproveitaram o evento para lançarem seus livros oficialmente.

Além disso, a Bienal do Livro Rio teve recorde de visitação, contando com 100 mil pessoas somente no dia 7. O registro não se deve apenas ao fato de ter sido feriado, mas também por ser o dia em que o youtuber Felipe Neto distribuiu 14 mil livros com temática LGBTQ. Este ato, foi um protesto contra a tentativa de censura do Crivella ao livro “Vingadores: A Cruzada das Crianças” e gerou filas de visitantes para receber as obras. Além do mais, as editoras ficaram lotadas e em 39 minutos todos os exemplares da história em quadrinhos esgotou no evento. Além dos estoques de livros LGBTQ devido a grande procura do público. Agora, após o fim da polêmica, o livro censurado que custava cerca de R$ 40 é vendido por até R$ 250 na internet.

A propósito, os números de vendas nas editoras tiveram um aumento devido a ausência da Saraiva, historicamente uma campeã em vendas. Este ano a editora não esteve presente no evento devido a sua recuperação judicial, que é o meio no qual a editora prevê se reerguer para não decretar falência. Isso fez com os visitantes procurassem as obras diretamente nas editoras que as publicam.

Ao passo que o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) decidiu pelo recolhimento de obras LGBTQ, a Bienal do Livro foi tomada por protestos, no dia 7. Os manifestantes, carregando livros distribuídos gratuitamente pelo youtuber Felipe Neto, se opuseram contra os fiscais do governo e levantaram gritos de “Não vai ter censura”, veja abaixo:

Apesar de toda tentativa de censura, a 19° edição da Bienal do Livro Rio foi encerrada com sensação de orgulho e determinação. Na mídia social da Bienal do Livro, foi dito “A Bienal não acaba hoje. Ela seguirá com cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos a todos os públicos… Viva a cultura! Viva a liberdade e a democracia!“. O público aguarda ansiosamente a próxima edição no ano de 2021.

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