Cidadania

Brasileiros estão lendo menos, aponta pesquisa

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 8 de outubro de 2020
Brasileiros estão lendo menos, aponta pesquisa

Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura”, divulgada em setembro, os brasileiros estão lendo menos. Em quatro anos, o número de leitores no país diminuiu cerca de 4,6 milhões, de acordo com a iniciativa que une o Instituto Pró-Livro e o Itaú Cultural, com aplicação do Ibope Inteligência. A pesquisa também mostrou que as crianças de cinco a dez anos estão lendo mais, diferentemente de todas as outras faixas etárias. Apontou também, que a Bíblia ainda é o livro mais lido no país. 

O estudo considera como leitores as pessoas que leram pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores ao levantamento dos dados, feito entre outubro de 2019 e janeiro de 2020. No total, foram contabilizados mais de oito mil entrevistas, em 208 municípios de 26 estados.

“É preciso juntar forças, pois os dados que a pesquisa revela são impactantes. Acho que a gente precisa fazer uma reflexão inclusive para avaliar o tamanho do desafio que temos pela frente, pois a leitura, todos nós sabemos, é uma ferramenta de acesso ao desenvolvimento pessoal e social. Possibilita a transformação das pessoas”, afiançou a socióloga Zoara Failla, coordenadora da pesquisa.  

Explicações para a diminuição nas leituras

Segundo a coordenadora do estudo, uma das justificativas para a os brasileiros lerem menos é a substituição dos livros pela internet por pessoas de classes e escolaridades mais altas. De acordo com edições anteriores da pesquisa, estes segmentos concentravam o maior número de leitores. 

Outro ponto destacado é a principal forma de acesso ao livro. Tanto a compra em lojas físicas quanto pela internet apresentaram uma pequena queda. No ano passado foi de 43% para 41%. Os principais compradores fazem parte das faixas de maior renda da população, correspondendo a mais da metade da classe A (52%), e apenas 10% das classes D/E. 

Em contrapartida, aumentou o índice de pessoas que têm no download de livros seu principal acesso à leitura. No entanto, 67% ainda preferem os livros físicos, contra 17% que opta pelo formato digital. A maioria dos leitores nessa categoria pertencem às classes B e C, e possuem Ensino Médio ou Superior.

Os brasileiros também estão lendo menos por vontade própria. A cada 10 brasileiros, sete dizem gostar “um pouco” ou “muito”; dois afirmam não gostar; e um não sabem ler ou não respondeu. Para 26% dos leitores brasileiros, gostar de ler é a principal motivação para o hábito. O relatório mostrou que em oposição aos jovens de 18 a 24 anos (17%) e aos idosos com mais de 70 (10%), as crianças de cinco a dez anos (48%) e os pré-adolescentes(33%) de 11 e 13 anos são os que mais leem porque gostam.

Falta de tempo para ler

Mais um fator, destacado por leitores e não-leitores, é a falta de tempo para ler. Não gostar mais, não ter paciência e ter dificuldades para ler são razões para a diminuição da leitura também. Na avaliação do diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron, os dados refletem um quadro de analfabetismo funcional. “A preguiça e o tempo que se demora para ler permeiam o analfabetismo funcional do país. A leitura é fundamental para o ensino. Sem ela, não há matemática, história, geografia – lembra. – Ela também é determinante para a empregabilidade das pessoas: não adianta ter programa de qualificação profissional se não há domínio do campo das letras.”, afirma o diretor.

Novos recortes da pesquisa

  • Pela primeira vez, a pesquisa fez um recorte de raça. Foi apontado que pessoas brancas leem mais do que as negras. Enquanto uma população leitora compreende 55% do total de brancos, o dado cai para 52% dos pardos e 48% dos pretos.
  • Outro recorte que o levantamento “Retratos da Leitura” trouxe foi específico para os leitores de literatura. Segundo o estudo, a maior parte deste grupo teve o interesse pela leitura despertado por referências vindas da escola, de professores ou de amigos e por filmes baseados em livros. 
  • Os autores preferidos são Machado de Assis, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Coelho, e mais da metade dos leitores de literatura afirmam ler mais de um livro do mesmo autor.
  • Dos gêneros mais lidos, o conto se destaca em primeiro lugar, seguido pela poesia, como crônicas e romances.
  • A maioria do grupo prefere comprar livros em livrarias físicas(48%), pela internet(24%) ou em sebos(15%).

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