Cidadania

42 mil candidatos mudam declaração de cor para eleições de 2020

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 1 de outubro de 2020
42 mil candidatos mudam declaração de cor para eleições de 2020

Cerca de 42 mil candidatos que disputarão as eleições municipais em 2020, mudaram a declaração de cor que fizeram no último pleito, em 2016. O número equivale a 27% dos candidatos que concorreram há quatro anos e participarão das eleições este ano. Esse levantamento foi feito pela Folha de S. Paulo, com base nos registros disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Cabe ressaltar que o número ainda deve aumentar, dado que as inscrições ainda são contabilizadas.

Em agosto, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou que os partidos devem distribuir de forma equilibrada os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha entre candidatos brancos e negros. Inicialmente, a medida valeria a partir de 2022. Em 10 de setembro, porém, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal) estabeleceu que a determinação seja válida já nas eleições de 2020.

Segundo o levantamento da Folha, 36% dos candidatos foram da cor branca para a parda. O contrário, de parda para branca, representou 30%. E mudanças de branco para preto representou 2%. Já os partidos que mais tiveram candidatos que alteraram a declaração de cor foram: PSD (1829), MDP (1.787) e PP (1.685). Do ponto de vista dos Estados, Minas Gerais(3.143), São Paulo (2.308) e Bahia (2.095) foram os lugares com mais registros de mudança.

Por que isso acontece?

Em entrevista à Folha, o professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e doutor em ciência política, Cloves Oliveira, explica que a mobilização de movimentos da sociedade civil fizeram com que aumentasse o número de pessoas que se reconhecem como negras. “A sociedade passou a valorizar este sentimento de pertencimento”, explica o professor sobre a dimensão simbólica no campo político que se declarar pardo ou preto ganhou. 

Já o cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marco Antonio Teixeira, afirma que as mudanças podem ser explicadas por uma combinação de fatores. Além disso, destaca que é preciso estar atento às alterações feitas em relação aos recursos de campanha modificado pelo TSE. “Têm ocorrido situações em que pessoas começam a se reconhecer quanto a condição ética que antes não se identificavam. Mas teve aí recentemente a decisão sobre a alocação de recursos [com cota para negros] e é preciso ver se houve uma onda de alterações[na identificação]”.

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