Crianças baleadas no RJ são vítimas da segurança pública

Somente neste ano de 2019, 17 casos de crianças baleadas no RJ em situações que envolveram tiroteios foram registrados. Assim sendo, cinco casos foram fatais. As idades das vítimas variam entre zero e 14 anos. A princípio, todos os casos ocorreram a partir de confrontos entre policiais e traficantes ou entre os próprios bandidos, em comunidades do Rio de Janeiro.

Segundo informações da ONG Rio de Paz, que combate a violência por meio da defesa dos direitos humanos no Brasil, mais de 50 crianças morreram atingidas por balas perdidas desde 2007. Os números mostram que de 2007 a 2014 foram 15 casos. Logo após, de 2015 a 2018 tiveram 37. E neste ano de 2019, já são 5 mortes confirmadas.

O primeiro caso confirmado, em 2019, foi a da menina Jenifer Cilene Gomes (11), morta em fevereiro no bairro de Triagem, na zona norte do Rio. Logo depois Kauan Peixoto (12), morto em março em Mesquita, Baixada Fluminense; Kauã Rozário (11), morto em maio na Vila Aliança, na zona oeste do Rio; Kauê Ribeiro dos Santos (12), morto em setembro no Complexo do Chapadão. E o caso mais recente, da menina Ágatha Feliz (8), morta também em setembro, no Complexo do Alemão.

A saber, as cinco famílias das vítimas afirmam que a Polícia Militar teve responsabilidade nas mortes. E de todos os casos, somente o do menino, Kauê Ribeiro, no mês de setembro, teve conclusão de inquérito de acordo com a Polícia Civil. As famílias das outras crianças, entretanto, continuam sem respostas.

Denuncia ao governador Wilson Witzel

O governador do estado do Rio de Janeiro, foi denunciado a organizações internacionais por entidades de direitos humanos por ser um defensor do uso de franco-atiradores e helicópteros blindados em operações policiais, que coloca em risco centenas de pessoas inocentes. O governador também defende uma solução policial para os problemas de violência nas favelas do Rio e que os os agentes públicos não sejam punidos pelas mortes que causam.

O que o Rio de Paz tem defendido e o governo precisa atentar é que o combate ao crime depende de um conjunto de ações e não do confronto armado sem qualquer critério. O uso da força pelo estado depende também de uma política pública de policiamento que contemple principalmente os cidadãos de bem, com o emprego de mais operações de inteligência do que operações de guerra não convencional“, declarou o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), entre janeiro e julho deste ano, coincidindo com a chegada de Witzel ao poder, 1.075 pessoas morreram em operações policiais na cidade. Número 20% superior ao mesmo período do ano passado.

Política de segurança pública do governo Wilson Witzel

O governador Wilson Witzel, na última segunda-feira (23), defendeu a política de segurança do seu governo no Rio de Janeiro. Witzel afirmou que o resultado está sendo satisfatório e que o combate a violência está sendo feito na ação de policiais militares e civis.

O que estarrece é que depois da morte de uma criança a afirmação é que continuarão procedendo dessa forma. Ou seja, vão matar mais crianças, mais inocentes, e chegar a índices inimagináveis em um país onde não está em uma guerra aberta, numa guerra campal. Não há remorso, meia culpa, uma vontade de repensar a política de atuação para evitar que outras mortes como essa continuem acontecendo. A perspectiva que temos é que outras Agathas virão em muito pouco tempo. A sensação da sociedade civil, da OAB é de perplexidade e indignação” indignou-se Luciano Bandeira, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

Na sexta-feira (27), durante o Rock in Rio, o governador Wilson Witzel declarou que a cidade do Rio de Janeiro é a segunda cidade mais segura do Brasil, sem apontar qual seria a primeira.

Protestos para as mais de 50 crianças baleadas no RJ

Devido a repercussão da morte da Ágatha e também em protesto a todas as outras mortes, mais de cinquenta cruzes foram colocados no Aterro do Flamengo na última segunda-feira (23). A ação foi coordenada pela organização Rio de Paz. Inclusive, as cruzes colocadas no lado esquerdo da pista sentido Centro do Aterro do Flamengo, deverão permanecer no local durante 15 dias.

Fonte: G1

Já na última quinta-feira (26), as mães das crianças baleadas no RJ fizeram um protesto em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo, em Laranjeiras. As manifestantes estenderam camisas da rede municipal de ensino com manchas vermelhas, fazendo alusão ao sangue. As camisas simbolizam as crianças feridas por balas perdidas este ano no RJ.

Fonte: Extra

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