Cidadania

Só 7% das cidades no país contam com delegacia da mulher

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 29 de outubro de 2020
Só 7% das cidades no país contam com delegacia da mulher

De acordo com o levantamento realizado pela Revista AzMina, em agosto deste ano, apenas 7% das cidades brasileiras contam com delegacia da mulher. A pesquisa mostrou que existem apenas 400 delegacias especializadas de atendimento a mulher no país, distribuídas em 374 cidades brasileiras.

Além disso, os dados demonstram que, em 93% dos municípios do país (o Brasil tem pouco mais de 5,5 mil municípios), a mulher que sofrer violência doméstica tem que buscar atendimento em uma delegacia comum. E mais: das delegacias especializadas, somente 15% funcionam 24 horas. O que vai contra a Norma Técnica de Padronização das Delegacias da Mulher, de 2010, que estabelece duas delegacias especializadas para municípios de até 300 mil habitantes e todas devem funcionar 24 horas.

“A delegacia especializada, dentro de uma estrutura de política pública, é fundamental. Não adianta só fazer campanha repetindo ‘denuncie’ e a mulher se frustrar ao fazer essa denúncia. Seja porque o local não está aberto, seja porque ela é revitimizada. Não adianta dizer para denunciar se não há uma política pública de acolhimento para aquela mulher”, explica Isabella Cavalcanti, advogada do Coletivo Mana a Mana e do Centro de Referência Clarice Lispector, em Recife, a revista AzMina.

Para fazer o levantamento, a revista entrou em contato com órgãos públicos dos estados e solicitou a lista de delegacias da mulher do estado. Feito isso, foi informada a existência de 429 delegacias especializadas em todo o Brasil. Entretanto, 152 não atenderam os telefonemas da equipe. Ademais, das 429 delegacias informadas, 400 de fato são especializadas, sendo as outras delegacias comuns.

Delegacias da mulher no Brasil
Fonte: Infográfico AzMina

De acordo com Cavalcanti, no Brasil, a violência contra a mulher é um problema estrutural e precisa ser enfrentado com políticas públicas eficientes. Dessa forma, a pesquisa evidência a importância de reverter esse cenário e romper com o ciclo da violência doméstica e do feminicídio.

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