Diminui abismo social entre negros e brancos no Brasil

A diferença entre negros e brancos no Brasil, no quesito educação, teve mudança significativa. O número de estudantes negros nas universidades é superior ao de brancos, segundo a pesquisa “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, feita pelo IBGE. Já a inclusão no mercado de trabalho é o assunto mais urgente a ser discutido, segundo o estudo “Consciência entre urgências: pautas e potências da população negra no Brasil” divulgado pelo Google Brasil.

Segundo o IBGE, o avanço da população negra nas universidades é resultado, parcialmente, do sistema de cotas. Desde 2016, segundo regras estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) na Lei Federal de Cotas, ao menos 50% das vagas disponíveis no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), são reservas para atender critérios de renda ou raça.

Assim, em 2018, o Brasil tinha mais de 1,14 milhão de estudantes autodeclarados pretos e pardos em instituições de ensino superior federais, estaduais e/ou municipais. Enquanto os brancos ocupavam 1,05 milhão de vagas. Isso equivale, respectivamente, a 50,3% e 48,2% dos mais de 2,19 milhões de brasileiros matriculados na rede pública.

Como resultado, foi a primeira vez que a população negra no Brasil ocupa mais da metade das vagas nas universidades públicas. Em 2016, primeiro ano em que a pesquisa trouxe um módulo específico sobre educação, havia uma ligeira diferença, onde 49,5% dos estudantes eram negros e 49% brancos.

De acordo com o IBGE, nas universidades privadas também houve aumento da presença de negros, em função de programas como Fies e Prouni.  Em 2016, 43,2% das vagas nessas instituições eram ocupadas por pretos e pardos. Dois anos depois, esse número passou para 46,6%, o equivalente a 2,93 milhões de estudantes.

A saber, 56,10% é o percentual de pessoas que se declaram negras no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE. Dos 209,2 milhões de habitantes do país, 19,2 milhões se assumem como pretos, enquanto 89,7 milhões se declaram pardos.

Determinação da população negra

O diretor da ONG Educafro, Frei David, credita o aumento do número de estudantes negros nas universidades a uma série de medidas. Estas adotadas desde a década de 1990.

O primeiro grande fenômeno que gerou esse avanço foi a determinação da comunidade negra a partir dos anos 1990 a criar, nos quatro cantos do Brasil, pré-vestibulares comunitários. Concomitante a isso, iniciamos uma luta pelo direito à isenção da taxa do vestibular para todos os pobres“, afirma Frei David.

Por outro lado, o maior acesso de pretos ou pardos na educação não é exclusivo ao nível superior. A frequência das crianças de até 5 anos na creche ou escola cresceu de 49,1% em 2016 para 53% em 2018.

Bem como, a taxa de analfabetismo das pessoas negras de 15 anos ou mais também melhorou, caindo de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. A proporção de negros com 25 anos ou mais e com pelo menos o ensino médio completo cresceu de 37,3% para 40,3%.

Inclusão no mercado de trabalho de negros e brancos no Brasil

Quanto maior o nível de instrução, maior a renda. Embora o estudo comprove essa máxima, ele mostra também que mesmo quando a população negra conclui o ensino superior, ela ainda ganha 45% menos do que a população branca.

Isso fica claro também pelas posições alcançadas no mercado de trabalho. Os brancos ocupavam 68,6% dos cargos gerenciais, contra apenas 29,9% dos negros, em 2018.

Uma pesquisa do Instituto Ethos divulgada em setembro mostrou que nas 500 empresas de maior faturamento do Brasil, os negros representam cerca de 58% dos aprendizes e dos trainees, mas estão presentes em somente 6,3% nos cargos de gerência. No quadro executivo, a proporção é ainda menor, apenas 4,7% são negros.

A saber, em 2018, os negros eram a maior parte da força de trabalho no Brasil, 54,9%. A proporção de pretos e pardos entre as pessoas desocupadas e subocupadas, porém, é muito maior. No ano passado, eles correspondiam a cerca de dois terços das pessoas que não tinham emprego, 64,2%. E das que trabalhavam menos horas do que gostariam ou poderiam, 66,1%. Os dados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, do IBGE.

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