Cidadania

Paralisação dos entregadores de aplicativos causa mobilização

Suellen Christine Sales da Silva
Escrito por Suellen Christine Sales da Silva em 3 de julho de 2020
Paralisação dos entregadores de aplicativos causa mobilização

A paralisação dos entregadores de aplicativos dominou várias cidades e também as redes sociais na última quarta-feira (01). O assunto ficou por horas no trend topics do Twitter e ganhou apoio de diversas pessoas. A ação dos trabalhadores busca por melhores condições de trabalhomedidas de proteção contra os riscos de infecção pelo novo coronavírus além de transparência na dinâmica de funcionamento dos serviços e das formas de remuneração. A medida não parou totalmente os aplicativos, mas ficou longe de ser um fracasso.

A princípio, a paralisação foi protagonizada por trabalhadores de empresas como Rappi, Loggi, Ifood, Uber Eats e James. E mais, os organizadores argumentam que o movimento foi construído por meio de grupos na internet. Entretanto, algumas entidades juntaram-se a causa, como associações de entregadores e de motofrentistas.

A paralisação dos entregadores de aplicativos visava aumentar as taxas mínimas recebidas por cada corrida, assim como o valor mínimo por quilômetro. Além disso, a mudança dos bloqueios dos trabalhadores, consideradas arbitrárias, também é reinvindicada.

Por outro lado, tanto em relação à remuneração quanto aos bloqueios, os entregadores questionam a falta de transparência das plataformas. Estas, não deixam claras as formas de cálculo dos pagamentos e os critérios utilizados para a suspensão das contas dos trabalhadores.

Simões, entregador do Rio de Janeiro e apoiador da greve, relata que as empresas de entregas ainda não entraram em contato para iniciar uma negociação. “Em vez de entrar em contato, as empresas soltam notas para os comerciantes dizendo que vai ter greve. A intenção não é fazer greve para fazer barulho, é porque temos reivindicações“, diz.

Paralisação dos entregadores de aplicativos tem relação com a pandemia

Um estudo publicado na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano mostra que houve um aumento do número de entregadores durante a pandemia. Mas, apesar do aumento de entregas, os valores de hora/trabalho ou bonificação caíram.

De 29 entregadores entrevistados, 57,7% declararam não ter recebido nenhum apoio das empresas durante a pandemia. E, 42,3% disseram ter tido algum tipo de auxílio. Independentemente do apoio, 96% comentaram ter adotado algumas medidas de proteção, como o uso de álcool em gel e máscaras.

Em defesa de melhores condições de trabalho, os entregadores das plataformas de delivery programam uma nova pausa no dia 12 de julho. Desta vez em um domingo, a medida segue cobrando o fim do esquema de pontuação – que diminui a nota de quem rejeita entregas – e ações mais eficazes durante a pandemia da Covid-19, com a entrega constante de máscaras e álcool em gel.

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