Manchas de óleo atingem 132 praias na região Nordeste

Manchas de óleo, de origem desconhecida, atingem o Nordeste desde o início de setembro. No total, 61 municípios em todos os nove estados foram afetados. Algumas amostras coletadas pela Marinha e pela Petrobras apontaram que a substância encontrada trata-se de petróleo cru. Segundo os dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), 132 localidades (praias) foram atingidas.

As manchas de óleo apareceram, inicialmente, em mais de 100 praias do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. De helicóptero, o Ibama monitorou as manchas e projetou sua trajetória rumo ao sul.

Assim, o óleo causou estragos no litoral sergipano. A maré poluiu a costa norte do estado, afetando em particular as praias da Reserva Biológica Santa Isabel, no município de Pirambu, cerca de 50 quilômetros ao norte de Aracaju. O Sergipe é considerado o estado mais afetado pelas misteriosas manchas de petróleo.

Inicialmente, o Ibama começou o monitoramento nas praias do Nordeste no dia 30 de agosto. Desde então 132 localidades foram afetadas pelas manchas de óleo. No total, 61 municípios foram afetados em todos os nove estados do Nordeste.

Animais mortos e turismo escasso

Em virtude de haver óleo nas praias do Nordeste, alguns turistas deixaram de fazer visitação ao litoral nordestino. Assim sendo, algumas regiões que vivem exclusivamente do turismo estão sendo afetadas de maneira que os comerciantes estimem a falência.

Não tem como não afetar. As pessoas pisam na areia, e depois esse negócio não sai do pé… Os clientes me ligam para desfazer a reserva. E vão para outras praias. É prejuízo mesmo” declarou Adaílton, proprietário de um quiosque na praia de Pirambu.

Quanto a morte dos animais, o Ibama já registrou a morte de uma ave e nove tartarugas marinhas em praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Pernambuco. Outras tartarugas, com vida, foram resgatadas, sujas com óleo. Não foram feitos exames ainda com peixes e crustáceos para saber se houve contaminação dos mesmos.

Por conseqüência das manchas de óleo nas praias, a equipe do Projeto Tamar, presente na região do Nordeste, suspendeu a soltura de filhotes de tartarugas marinhas em Sergipe e no norte da Bahia. Os biólogos explicam que ao tentar ir para a água, as tartarugas recém-nascidas podem ficar presas nas manchas de óleo e acabarem morrendo. A equipe do Tamar irá decidir ainda se os filhotes serão liberados em outras localidades ou no alto mar.

Ações do governo quanto as manchas de óleo no Nordeste

Na última segunda-feira (7), o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com ministros e comandantes das Forças Armadas para discutir o aparecimento de manchas de óleo em praias do Nordeste.

Após a reunião, o presidente afirmou que o óleo despejado nas praias não é produzido e nem comercializado no Brasil. Além disso, Bolsonaro disse que o aparecimento das manchas pode ter origem criminosa ou acidental.

Bolsonaro acrescentou que cerca de 140 navios fizeram o trajeto pela região, mas não disse em qual período. Dessa forma, a principal suspeita é que a substância tenha vazado de algum navio petroleiro que passava pela costa brasileira.

Seja como for, a Marinha faz o monitoramento de navios para identificar a origem do óleo que está poluindo as praias. Enquanto isso, moradores litorâneos e agentes de limpeza tentam diminuir os estragos nas praias fazendo limpezas na orla.

Algumas orientações a pescadores e visitantes das praias

  • Não toque no óleo;
  • Se encontrar manchas em alguma praia, entre em contato com os órgãos públicos, indicando o local em que elas estão localizadas;

E caso haja o encontro de algum animal sujo de óleo, as recomendações são:

  • Ligue imediatamente para equipe do PCCB-UERN e informe detalhes sobre a situação (se é golfinho, baleia, tartaruga marinha, peixe-boi ou ave marinha, se está vivo ou morto e local do encalhe) e se possível, envie fotos ou vídeos via WhatsApp;
  • Não entre em contato com o óleo. Perigo de alta toxidade! Não tente limpar com sabão, areia, ou qualquer produto químico. Essas substâncias podem disseminar a contaminação do óleo no ambiente e no animal;
  • Não devolva o animal ao mar. Animais encalhados precisam de avaliação clínica especializada. Caso devolvido sem cuidados adequados, o animal poderá encalhar novamente;
  • Isole a área, evite barulho, conversas, e movimentos que possam estressar o animal. Não alimente e nem force a ingestão de líquidos;
  • Proteja o animal do sol (com guarda-sol, panos limpos) e aguarde a chegada da equipe de resgate.

A saber, o telefone da Linha Verde do Ibama é 0800 618080.

Deixe uma resposta