Cidadania

Milícias do RJ mantêm parcerias até com igrejas

Nariene da Silva Xavier
Escrito por Nariene da Silva Xavier em 30 de outubro de 2020
Milícias do RJ mantêm parcerias até com igrejas

As milícias do Rio de Janeiro mantêm parcerias com as polícias, com facções criminosas e até com igrejas evangélicas pentecostais. As mesmas, agora tentam se infiltrar em prefeituras e Câmaras Municipais. É isso que aponta o estudo da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos.

Ao longo de quase um ano, pesquisadores, policiais, promotores, jornalistas, ativistas e especialistas em dados debateram o tema. A Nota Técnica resultante desse estudo alerta para os riscos que as milícias representam ao Rio de Janeiro e consequentemente ao Brasil.

A Nota ressalta que as milícias surgiram oferecendo segurança a moradores de áreas até então dominadas por traficantes: “Desde sua origem, os grupos milicianos procuraram se posicionar junto às populações dos territórios onde atuavam com um discurso de escudo em face do jugo do tráfico. Construíram sua identidade como antagonistas do tráfico, valendo-se, para tanto, do fato de que a guerra entre polícia e traficantes era uma fonte permanente de insegurança para os moradores das favelas“, afirma o texto.

Mas as atividades se expandiram e os milicianos passaram a controlar a venda de vários tipos de produtos básicos ou valorizados nas comunidades: “Há registro de atuação de milícias em serviços de transporte coletivo, gás, eletricidade, internet, agiotagem, cestas básicas, grilagem, loteamento de terrenos, construção e revenda irregular de habitação, assassinatos contratados, tráfico de drogas e armas, contrabando, roubo de cargas, receptação de mercadorias e revenda de produtos de diversos tipos e proveniências. Diversamente de outros grupos armados e/ou criminais, as milícias têm como característica sua não especialização. Essa diversificação parece ser um dos grandes propulsores econômicos das milícias e uma vantagem em relação aos seus concorrentes em cada mercado específico”, completa o texto.

Os pesquisadores concluíram através de uma comparação entre as facções criminosas, habitualmente sediadas em favelas, e as milícias que agora não se tem mais como trabalhar com a abordagem simplificadora e falaciosa de que o ‘inimigo’ está nas favelas, pois ele está infiltrado no Estado, nas suas estruturas de poder, e ao mesmo tempo em que se apresenta como protagonista no mercado político. É também um novo tipo de empresário, cujo mercado é tudo que puder ser consumido por moradores de favelas e subúrbios; um agente da mercantilização da vida popular. Sem regulação e sem limite, tende a corromper todas as estruturas. É sem dúvida o maior desafio ao estado de direito, à república e à democracia no país.

Hey,

o que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quem Somos

“Nosso foco é informar com senso crítico tudo o que existe de mais importante na área da segurança, saúde, emprego e do ir e vir do cidadão brasileiro.”