Mortes de ciclistas são parte da falta de segurança do RJ

A divisão de dados vitais da Secretaria estadual de Saúde fez um levantamento que revelou 31 mortes de ciclistas de janeiro a julho deste ano no Rio de Janeiro. Por outro lado, em 2018, foram 53 casos fatais. Sendo assim, em média, mais de quatro pessoas morrem por mês em acidentes com bicicletas.

A princípio, o número de ciclistas no RJ pode ter aumentado devido o crescimento do Bike Rio. De acordo com a Tembici, empresa que administra o projeto, desde o lançamento de seu novo sistema, em 2018, o número de usuários subiu três vezes, em apenas um ano.

Assim sendo, atropelamentos de ciclistas se tornaram um problema recorrente nas ruas do RJ. Alguns casos como o do Conrado Gomes, do Arthur Sales e da Valda Nogueira abriram precedentes para questionamentos sobre a falta de segurança para os ciclistas como também para os registros de acidentes e mortes.

Os números podem ser ainda mais preocupantes, já que muitos casos são registrados como atropelamento de transeunte. Além disso, a tipificação (do acidente) costuma variar dependendo de quem faz o primeiro socorro. Temos lutado para que as autoridades estabeleçam uma padronização. Só assim será possível obtermos dados mais compatíveis com a realidade e, a partir deles, traçar políticas públicas para reduzir os acidentes e as mortes” declarou Raphael Pazos, criador da Comissão de Segurança do Ciclismo da cidade do Rio.

Falta de segurança e infraestrutura influenciam acidentes com ciclistas

Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ciclistas relatam que andariam mais de bicicleta se a falta de segurança e infraestrutura, na cidade, fossem resolvidas. Inclusive, alguns disseram que já se envolveram em acidentes nas ruas e nas ciclovias.

A desatenção dos motoristas é um dos motivos de acidentes, mas não o único. A iluminação precária, os buracos e as imperfeições no asfalto e nas ciclovias também representam riscos” disse um ciclista.

  • ACIDENTES COM CICLISTAS

De acordo com o Anuário do Corpo de Bombeiros, bicicletas se envolveram em 7,4% dos acidentes de transportes terrestres atendidos pela corporação. Foram cerca de 13,5 mil ocorrências com ciclistas, o que dá, em média, mais de mil casos por mês.

Eles ressaltam que há uma subnotificação das mortes e acidentes com ciclistas no Rio. Além disso, segundo eles, os dados são pouco consistentes, apesar de o estado ter a terceira maior malha cicloviária do país, com 458 km. Perdendo apenas para Brasília (465 km) e São Paulo (498,3 km).

Campanha Bicicleta Segura estimula prevenção para acidentes e mortes de ciclistas

A Campanha Bicicleta Segura, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), visa orientar as pessoas na prevenção de acidentes e mortes envolvendo bicicletas. Somente no ano passado, 11.741 brasileiros foram internados por envolvimento em acidentes com bicicleta, gerando custo superior a R$ 14 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha aconteceu no dia 19 de agosto.

De maneira geral, a prática do ciclismo nas grandes cidades, motivada pelo baixo custo, rapidez, praticidade, saúde e preocupação ambiental aumentou no último ano. Por outro lado, a atividade acabou trazendo problemas uma vez que as cidades, em sua maioria, não têm estrutura para o ciclismo e também porque as pessoas não têm orientações para entender a bicicleta como um esporte. Assim sendo, algumas orientações guiadas pela campanha Bicicleta Segura foram passadas a ciclistas e a motoristas.

  • QUANTO AOS CICLISTAS

A entidade fez alertas sobre os cuidados que os ciclistas devem ter ao passar por carros estacionados. Também atentou quanto a circulação dos ciclistas, que deve ser sempre do lado direito da via, próximo ao meio-fio e no mesmo sentido dos veículos. Além disso, a campanha reforçou a importância do uso de equipamentos de segurança como capacete, luvas e óculos. Assim sendo, a importância da iluminação, com luz branca na frente e vermelha atrás também foi ressaltada. Por fim, não ultrapassar o sinal vermelho, usar sempre calçados fechados para pedalar, e manter uma boa postura para evitar problemas no joelho foram as orientações finais.

  • QUANTO AOS MOTORISTAS

A campanha trabalhou a conscientização dos motoristas uma vez que grande parte dos acidentes graves, que ocorrem nas cidades, são principalmente causados por condutores de veículos. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia fez ações principalmente conscientizando sobre o respeito às leis de trânsito e o respeito aos ciclistas.

Dia do Ciclista

A saber, o Dia do Ciclista é celebrado em 19 de agosto e homenageia o biólogo Pedro Davison. Ele morreu atropelado em 2006 enquanto pedalava no Eixão Sul, via expressa da capital federal. A via é fechada ao tráfego de veículos aos domingos para se transformar em área de lazer.

A data entrou no calendário oficial do Brasil. Sua aprovação tem o objetivo de estimular o uso da bicicleta, a cidadania e a mobilidade sustentável e plural. Além disso, busca criar novas oportunidades para promover a educação e a paz no trânsito.

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