Cidadania

Na pandemia, três mulheres foram vítimas de feminicídio por dia

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 25 de março de 2021
Na pandemia, três mulheres foram vítimas de feminicídio por dia

Mesmo diante de um contexto de pandemia e sobrevivendo aos riscos do coronavírus, cerca de 1.005 mulheres morreram entre os meses de março e dezembro de 2020 no país. Este dado revela que, por dia, pelo menos três mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. Este dado corresponde ao monitoramento de mídias independentes, divulgado pela revista AZMinas no dia 8 de março deste ano. 

O monitoramento, que tem como base as estatísticas das Secretarias Estaduais da Segurança Pública, tem por objetivo visibilizar a violência doméstica e o feminicídio durante a pandemia. O estudo foi realizado em parceria com sete mídias independentes: Amazônia Real; AzMina; #Colabora; Eco Nordeste; Marco Zero Conteúdo; Ponte e Portal Catarinas. 

O monitoramento

Os dados da pesquisa mostram que, de março a dezembro do ano passado, 14 estados apontaram um aumento no número de casos de feminicídio. Ao todo, eles tiveram um aumento de 20% em comparação com o mesmo período de 2019. Desses estados, Mato Grosso e Pernambuco apresentaram a maior elevação em números absolutos: 22 (73%) e 16 (36%) casos a mais, respectivamente, em comparação ao ano passado. Outro destaque é o estado do Amazonas, que aumentou o número de feminicídios em 67% neste período.

“O aumento da violência contra as mulheres e da subnotificação dessa violência é uma evidência mundial, e o Brasil não é exceção. A perspectiva é a de que, enquanto perdurar a pandemia da Covid-19, essa situação se agrave”, afirma Julieta Palmeira, secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, à revista AZMinas.

Em 2020, a taxa de feminicídio por 100 mil mulheres foi de 1,18. Em 2019, a taxa foi de 1,19. Com base no monitoramento, 16 estados apresentaram taxas acima da média. Estas correspondem a 45% da população feminina dos estados analisados (102 milhões) e foram responsáveis por 61% das mortes ou 735 feminicídios. Os estados que apresentaram as maiores taxas são Mato Grosso 3,56 e Roraima 2,95 – ambos com o triplo da média dos 24 estados e do Distrito Federal. Na contramão, 11 estados apresentaram taxas abaixo da média: Ceará (0,57), Rio Grande do Norte (0,64) e São Paulo (0,74). 

Perspectivas para 2021

Neste cenário, tendo em vista que 2020 foi particularmente difícil para as mulheres, especialmente as vítimas de violência doméstica, 2021 corre o risco de ser ainda pior. Isto, por não haver perspectiva de o país reverter as crises sanitárias, econômicas e políticas que enfrenta simultaneamente.

“O que a gente pode esperar de 2021 com um auxílio de valor baixo, arrocho fiscal e pandemia em alta é o aprofundamento da pobreza. A fome vai aumentar exponencialmente. E as mais atingidas continuarão sendo as mulheres.” afirma Verônica Ferreira, pesquisadora do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia e integrante da campanha da Renda Básica Emergencial. Para a pesquisadora, o auxílio financeiro para muitas mulheres pode significar uma porta de saída para situações de violência. 

Por fim, vale lembrar que romper o ciclo da violência é uma tarefa difícil por uma série de questões que passam por subjetividades emocionais e até contextos práticos, como a dependência financeira. Sendo assim, a pandemia impôs o isolamento social e, portanto, mais um obstáculo para o enfrentamento dessa situação.

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