Represa do Camorim tem risco de rompimento e ameaça bairros do RJ

A represa do Camorim é alvo de investigações realizadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O risco de rompimento do local, que fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro, causa pânico em cerca de 500 pessoas que vivem nas proximidades. Assim sendo, o açude está na mira de uma ação civil pública por conta do estado de degradação e risco estrutural. A Cedae, o Estado do Rio e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) são réus no processo.

De acordo com investigações realizadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a barragem da represa do Camorim tem inúmeros problemas. Entre os principais riscos estão o desbarrancamento do solo, o tombamento de parte do muro de contenção e o rompimento de uma tubulação.

Ainda segundo o MPRJ, tais constatações foram detectadas por inspeções feitas pela Cedae. Dessa maneira, desde 2017, os réus têm conhecimento das falhas. Porém, a ação pública confirmou que mesmo assim nenhuma medida emergencial foi adotada pelos órgãos responsáveis.

Diante das omissões, o MPRJ também verificou que a negligência na manutenção do local pode promover o rompimento da reserva e, consequentemente, uma tragédia de grandes proporções. Isso porque, a região fica próxima a residências e abriga um considerável volume de água. Em caso de ruptura, bairros como Jacarepaguá, Vargem Grande, Vargem Pequena, Campo Grande e adjacências, podem estar no meio da mancha de inundações.

Esperam que aconteça o evento catastrófico e depois tomam algumas medidas. A gente tem que ter a cultura do risco, quer dizer, a gente tem que se preparar melhor e prevenir melhor algumas coisas“, afirma o professor Julio César da Silva, chefe do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente (DESMA) da UERJ.

A represa do Camorim é abastecida pelo Parque Estadual de Pedra Branca, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O local, um dos maiores parques naturais urbanos do mundo, ponto de visita de passeios ecológicos e trilhas, também é responsável pelo abastecimento de represas como Pau da Fome, de Taxas e do Engenho Novo.

Responsabilidades dos órgãos pela represa do Camorim

A Cedae é a responsável direta pela barragem, na qualidade de possuidora e mantenedora do local público. O Inea é responsável indireto, na qualidade de instituição apta a fiscalizar a segurança de barragens em geral. E, por fim, o Estado também é responsável indireto, não só pela barragem ser um bem do patrimônio histórico estadual, mas também  por ser controlador da Cedae e do Inea.

Ademais, apesar de estar localizado longe dos centros urbanos, o parque busca em sua existência a preservação de origens hídricas ameaçadas pela expansão urbana, proteger e manter paisagens naturais no Estado e, por fim, proporcionar e desenvolver estudos sobre a biodiversidade da Mata Atlântica.

Além disso, as construções históricas e ruínas situadas na represa do Camorim fazem parte dos aspectos atrativos e afetivos, tanto para moradores quanto para visitantes. Por isso, a ação do MPRJ visa a manutenção da barragem para prevenir um rompimento e meios de conscientização e preparo à população. Contudo, essas medidas devem ser antecipadamente desenvolvidas para que o risco não aumente visto que o número de visitantes no parque é grande.

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