Cidadania

Um novo olhar sobre o Morro do Alemão

Kaio Serra
Escrito por Kaio Serra em 24 de junho de 2017
Um novo olhar sobre o Morro do Alemão

Com uma população maior do que a da Groenlândia, o Morro do Alemão tem uma história rica, porém pouco conhecida. Mas também uma realidade bem divulgada.

Erguido na Serra da Misericórdia, na longínqua década 20, o Morro do Alemão recebeu esse nome por conta de seu fundador. Um polonês.  Leonard Kaczmarkiewicz recebeu o apelido de alemão dos cariocas da época. A localidade ainda fazia parte da Região da Leopoldina. No final de 1920, se instalou na região “O Curtume Carioca”, com isso, muitas famílias se mudaram para o local.

Um novo olhar sobre o Morro do Alemão
Fonte: Acervo O Globo. Instalação do Cortume Carioca

Com a chegada da Avenida Brasil, em 1946, a região foi transformada em um grande pólo industrial. O comércio e a indústria cresceram e diversificaram-se. Em 1951, Leonard resolve lotear o Morro do Alemão. A ocupação desordenada dos morros adjacentes, que teve seu boom no primeiro governo de Leonel Brizola, culminando por dar lugar as favelas do Complexo do Alemão.

Um novo olhar sobre o Morro do Alemão
Fonte: Acervo Globo. Antiga Região da Leopoldina, com a Igreja da Penha ao Fundo.

O bairro, que ocupa boa parte da Zona Norte da Capital, possui cerca de 69.143 habitantes. Conta com um IDH mais baixo da capital fluminense, além de ser considerado uma das áreas mais violentas. Os serviços públicos são escassos e precários. Parte por culpa da omissão do Estado, parte pela ação de facções criminosas que atuam no local. Estas facções permanecem presentes, mesmo depois da instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em 2011.

Morro do Alemão pouco evolui com a chegada da UPP

A Unidade de Polícia Pacificadora trouxe algumas melhoras para a região, no entanto, há muito a se melhorar. Dentre as tantas comunidades, a sua principal é o Morro do Alemão. O Complexo do Alemão é oficialmente um bairro, mas devido a sua enorme extensão, os limites da área do bairro e das favelas pertencentes aos morro se misturam com Ramos, Higienópolis, Olaria, Penha, Inhaúma e Bonsucesso.

Uma das grandes conquistas do bairro, é o Telégrafo. Semelhante ao de Medelín, foi criado com capacidade para transportar dez passageiros em cada cabine, com um total de 152 cabines. Ligando a estação de Bonsucesso da Supervia até o ponto mais alto do morro. Com a pacificação da área, rapidamente se tornou uma atração na Cidade do Rio.

Um novo olhar sobre o Morro do Alemão
Imagem: Vladmir Platonov / Agência Brasil

O gigantesco bairro, que se fosse um município, seria o 35º maior do Estado. Com população de país de primeiro mundo, e IDH similar ao de subdesenvolvidos africanos precisa crescer. O Complexo do Alemão está na parte de trás do Redentor, mas não é só de tiros e mortes que é constituído esse bairro.

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