Cidadania

A vida dos refugiados no Rio de Janeiro

Kaio Serra
Escrito por Kaio Serra em 24 de junho de 2017
A vida dos refugiados no Rio de Janeiro

Histórias que mais parecem ficção. Relatos de fuga que amedrontam o mais corajoso dos homens. São, na verdade, a realidade dos refugiados no Rio de Janeiro.

Khaled Feres tem 29 anos, protético, chegou no Rio em buscar de oportunidades. Após a morte do irmão, na guerra, o pai enviou os filhos para países diferentes. um outro irmão e sobrinhos foram para a Alemanha e outro está na Turquia. Khaled sonha em cursar odontologia, além de melhorar o português.

Com lágrimas nos olhos, ele diz que a família não tem paz na Síria. “Sinto falta da minha família. Se meu pai, minha mãe e minha irmã viessem para cá eu ia esquecer a Síria. Não ia ter saudades de lá, mas meu pai diz que não quer sair da sua casa. Ele sempre me diz que a casa dele é o seu país”. Conta.

Khaled é um dos 70 milhões de refugiados que existem no mundo. A análise é da  Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados). E segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, destes, cerca de 9.000 vivem no Brasil.

No Rio de Janeiro, quem presta auxílio à maioria dos refugiados, é a Cáritas Diocesana. O Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) oferece assistência desde o momento d chegada dos refugiados ao Brasil. Além da obtenção de documentos e na integração à sociedade. O PARES ainda oferece inclusão à políticas públicas, à abrigos seguros, ao aprendizado do idioma, ao mercado de trabalho, à formação educacional e ao atendimento psicológico e de saúde.

Segundo a instituição, o Rio de Janeiro possui 4.341 refugiados. Dos quais 112 chegaram em 2017. Ao comparar os números desde 2014, a média de chegada por mês, causa mais que a metade. Em 2014 foram 458 (média de 38,2 pessoas por mês). O período mais movimentado foi 2015, com 834 (média de 69,5 pessoas por mês). Em 2016 houve uma nova queda, 570 (média de 47,5 pessoas por mês).

A vida dos refugiados no Rio de Janeiro
Irmãos sírios vendem salgados árabes em Botafogo, na Zona Sul (Foto: Káthia Mello/G1)

No Estado do Rio, a maioria dos refugiados, cerca de 2.345, são de Angola. O país viveu uma grave crise sócio-política, que culminou em uma Guerra Civil que durou 26 anos. Por ser um país lusofônico, adaptação costuma ser mais fácil. Porém, os 927 congoleses que vivem no Estado, não possuem a mesma facilidade. O segundo grupo mais populoso entre os refugiados, também está fugindo da guerra que assola o país africano, além da miséria.

Ainda de acordo com a Cáritas, 72% dos atuais refugiados são homens. Ainda há 2.948 pedidos pendentes. No entanto, o sonho de permanecer no Rio, nem sempre se realiza. “A grande maioria dos solicitantes de Bangladesh e Senegal chegou há cerca de 3, 4 anos. Geralmente, essas pessoas não são consideradas refugiadas pelo governo, que sequer tem analisado seus pedidos. Além disso, a maioria foi para a Região Sul em busca de trabalho”. Diz a Instituição, em nota.

O procedimento legal para solicitar refúgio é junto à Polícia Federal (nos aeroportos, portos ou na fronteira terrestre). O solicitante deve preencher um formulário de cerca de 20 páginas com várias informações sobre os motivos da vinda. Entregando esse formulário à PF, ele será cadastrado e receberá um protocolo de solicitação de refúgio. Com esse documento, ele pode tirar carteira de trabalho e CPF e está totalmente regular no país. Em alguns meses, ele será chamado para uma entrevista com um oficial do CONARE.

A Cáritas é sediada na rua São Francisco Xavier, 483, no Maracanã. A instituição aceita doações, principalmente de Alimentos não perecíveis; Fraldas; suplementos alimentares infantis e Itens de higiene pessoal.

 

 

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