Dilma, Lula e Mercadante tentaram obstruir a Justiça, diz PF

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um relatório apontando que os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Casa Civil e Educação, Aloizio Mercadante, tentaram obstruir a Justiça. Mercadante teria ainda cometido crime de tráfico de influência.

O relatório pede ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, que Dilma, Lula e Mercadante sejam denunciados criminalmente por obstrução de Justiça, mas em primeira instância, já que nenhum dos três possuem foro privilegiado na Corte.

Mesmo afirmando que “o conjunto probatório é suficiente”, a PF não indiciou Dilma, Lula e Mercadante. O motivo seria não ter clareza de como a denúncia deve prosseguir à primeira instância ou ao STF, pois na época em que os supostos crimes foram cometidos, os envolvidos detinham foro privilegiado. A PF decidiu, então, esperar uma manifestação do ministro Fachin sobre o assunto.

A PF acredita que quando Dilma tentou nomear o ex-presidente à Chefe da Casa Civil, no ano passado, eles criaram um “embaraço ao avanço da investigação da Lava Jato“.

No tópico ’embaraço à investigação mediante a nomeação de Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil da Presidência da República’, também acreditamos haver suficientes indícios de materialidade e autoria do crime […] atribuível à Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que ambos, de forma consciente, impuseram embaraços ao avanço das investigações da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula em razão da sua nomeação para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República […] A nomeação de Lula caracteriza obstrução de Justiça. […] O conjunto probatório foi suficiente“, escreveu o delegado da PF no relatório.

Já Mercadante teve investigação baseada na gravação de uma conversa que teve com o ex-chefe de gabinete do ex-senador Delcídio do Amaral, Eduardo Marzagão, onde Mercadante teria oferecido ajuda em troca do silêncio de Delcidio, que iria participar de delação premiada. Isso, para a PF, demonstra “embaraço à colaboração premiada do ex-senador Delcídio do Amaral“. “Os conteúdos das conversas são reveladores“, diz a Policia Federal.

A defesa da ex-presidente  negou que ela tenha cometido os crimes a que foi atribuída e afirmou que o relatório “representa apenas a opinião do delegado sobre os episódios investigados“. Advogados de Lula afirmaram, por meio de nota, que a conclusão é “desprovida de qualquer fundamento jurídico“.

Pierpaolo Bottini, advogado de Mercandate, contou que o ex-ministro ficou “surpreso” com o relatório e negou qualquer tentativa de obstruir a Justiça.

Fonte: G1 | IstoÉ

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