Dispositivo contraceptivo Essure é alvo de queixas entre mulheres

O dispositivo contraceptivo Essure, que promete fazer laqueadura em mulheres sem a necessidade de cirurgia, tem sido alvo de queixas de pacientes. Criado e vendido pela farmacêutica Bayer, o Essure tem formato de uma pequena mola que é instalada nas trompas das mulheres e apresenta 99,81% de efetividade na contracepção, após um ano de uso.

Ao contrário da cirurgia de laqueadura ou ligação das trompas, que consiste em um corte nas trompas que são amarradas, a implementação do Essure é rápida. Dessa forma, o ginecologista consegue instalar o pequeno dispositivo por meio de um procedimento menos invasivo, realizado em ambulatório e não em centro cirúrgico. O produto consiste em pequenas molas, feitas com fibras de pet e uma liga metálica de níquel e titânio.

Fonte: Metrópoles

Como consequência, muitas mulheres que se submeteram à instalação do dispositivo, passaram a sentir dores intensas e diversas outras complicações graves. Por outro lado, a Bayer afirma que o produto é seguro, mas o retirou do mercado brasileiro em janeiro desse ano alegando questões comerciais.

Assim, mulheres ainda sofrem com os efeitos colaterais do dispositivo contraceptivo e encontram dificuldade para retirá-los na rede pública de saúde. No Rio de Janeiro, por exemplo, estima-se que ao menos 3 mil mulheres tiveram o dispositivo contraceptivo Essure implantado em seus corpos no hospital da mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, Zona Oeste da cidade.

Desse total, segundo o próprio hospital, 80 mulheres relataram algum tipo de problema com o dispositivo. As principais queixas são dores fortes em locais como cabeça, pélvis, lombar, pernas e articulações. Além disso, também foram relatados sintomas de depressão, falta de apetite sexual e cansaço crônico.

Retirada do dispositivo contraceptivo

Muitas mulheres buscam formas de retirar cirurgicamente o dispositivo contraceptivo Essure. Mas, essas mesmas pacientes têm relatado demora e burocracia para o procedimento que, em alguns casos, demanda a remoção total das trompas e até a retirada do útero.

O advogado Érico Rodolfo de Oliveira representa 99 mulheres que decidiram ir à Justiça exigindo a retirada do dispositivo contraceptivo Essure. Segundo ele, os hospitais brasileiros, após a constatação das complicações no uso do dispositivo, tratam os pacientes e o processo com descaso. “Temos diversos casos em que o dispositivo metálico sofreu fragmentações, Então, ele se partiu e está dentro do corpo das mulheres“, explica o advogado.

No Rio, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o método parou de ser usado no Hospital Mariska Ribeiro. Isto devido ao fabricante ter decidido retirá-lo do mercado.

Ademais, a Anvisa proibiu a venda e implantação do dispositivo contraceptivo em fevereiro de 2017. Cerca de cinco meses depois, contudo, a agência voltou a liberar a comercialização no país. Em janeiro deste ano, o registro do produto foi suspenso, dessa vez a pedido da própria Bayer.

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