Psoríase no Brasil atinge cerca de 2% da população

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a psoríase no Brasil acomete 1,31% das população. Assim sendo, a doença prevalece no Sul e no Sudeste por causa da menor irradiação solar e da maior ascendência europeia nessas regiões.

A princípio, a enfermidade inicia-se, geralmente, entre os 20 e 30 anos, em ambos os sexos. A doença tende a persistir por toda a vida, com períodos de melhora e piora como explica o Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador nacional da Campanha de Psoríase da SBD.

Diversos fatores ambientais podem contribuir para o surgimento ou o agravamento da patologia. O estresse, o tempo frio, o uso de alguns medicamentos, como antidepressivos e anti-inflamatórios, infecções, em especial a de garganta, tabagismo e consumo excessivo de álcool são agravantes a doença.

Da mesma forma, há a interferência do sistema imunológico no desenvolvimento da patologia. A explicação é que os linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo, liberam substâncias inflamatórias que atacam as células cutâneas saudáveis, fazendo com que elas sejam produzidas em maior quantidade e tenham o seu ciclo evolutivo antecipado. “Em uma pessoa saudável, o amadurecimento da camada mais superficial da pele se dá em, mais ou menos, um mês. Nas que têm psoríase, esse ritmo é acelerado, e o resultado é a descamação” comenta Romiti.

Tipos de psoríase

A psoríase pode se manifestar em qualquer parte do corpo, mas tende a aparecer especificamente em alguns lugares, como couro cabeludo, cotovelos, joelhos e costas. Sua lesão clássica é uma placa elevada, avermelhada e com escamas esbranquiçadas que se desprendem facilmente. Elas costumam coçar e doer. Em casos graves, a pele em torno das articulações corre o risco de rachar e sangrar.

Os tipos da doença, segundo a SBD, são:

  • ungueal, afeta as unhas das mãos e dos pés
  • invertida, atinge áreas úmidas, como axilas, virilhas, embaixo dos seios e ao redor dos genitais
  • palmoplantar, acomete mãos, pés e dedos

Além disse, existem as variantes mais graves, como a pustulosa, que forma lesões com pus, a eritrodérmica, que se espalha por todo corpo e a artropática ou artrite psoriásica, que causa inflamação nas articulações.

Neste último caso, além dos sintomas tradicionais, é normal ocorrer inchaço, dor, rigidez progressiva e, se não houver tratamento adequado, destruição óssea e deformidades. As áreas mais afetadas são dedos, coluna e quadril. De acordo com um estudo sobre artrite psoriásica produzido pelo Ambulatório de Psoríase do HC da USP de Ribeirão Preto, 41,8% da população que tem psoríase no Brasil, desenvolvem artrite psoriásica.

Complicações da psoríase

Em função de seu caráter sistêmico, a enfermidade, antes considerada somente de pele, agora também está associada a doenças do sistema cardiovascular. Uma delas é a chamada síndrome metabólica, composta por hipertensão arterial, diabetes e obesidade.

Sendo pesquisa da USP-RP, ela atinge, no país, 50% dos psoriáticos. Apesar de ainda não serem totalmente conhecidas as razões dessa relação, sabe-se que o risco dessa população ser acometida pelo problema é cinco vezes maior do que entre os cidadãos em geral.

Por provocar uma inflamação crônica que atinge diversas partes do organismo, a psoríase também é fator de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC)” acrescenta Maria Victória Suárez Restrepo, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Tratamento da psoríase no Brasil

O tratamento da psoríase é feito de acordo com o tipo e a gravidade. Nos casos mais leves, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT), do Ministério da Saúde, determina a utilização de medicamentos externos, como corticosteroides, calcipotriol e ácido salicílico. Já nos casos moderados e graves, é indicada, como primeira opção, a fototerapia ultravioleta B (UVB) de banda estreita ou psoraleno (fotossensibilizante e estimulante da produção de melanina), associado à fototerapia com ultravioleta A (PUVA).

Bem como, se não houver resposta após 20 sessões, ou o paciente apresentar alguma restrição, o passo seguinte é a introdução de medicamentos orais sistêmicos, como metotrexato, acitretina e ciclosporina.

A última alternativa, quando nenhuma das anteriores der resultado, são os imunobiológicos. Recentemente, inclusive, o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou quatro deles no tratamento gratuito da psoríase no Brasil, em estágio avançado. São os seguintes:

  • adalimumabe, recomendado para a primeira etapa após falha da terapia padrão;
  • secuquinumabe e ustequinumabe, recomendados para a segunda etapa, após falha da primeira;
  • etanercepte, recomendado após falha da terapia padrão em crianças.

Eles são aplicados por via subcutânea, como a insulina, uma vez por semana, uma vez por mês ou uma vez a cada três meses.

Ademais, os médicos garantem ser imprescindível adotar hábitos de vida mais saudáveis, como uma dieta equilibrada e prática regular de atividade física. Há também a recomendação do uso de hidratante diariamente e a tomada de banho de sol com moderação e proteção, em horários apropriados e sob orientação de um dermatologista.


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