Doença similar à Leishmaniose é descoberta no Brasil

Uma doença similar à Leishmaniose foi descoberta no Brasil, pesquisadores brasileiros do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias, com financiamento da Fapesp, estão investigando a doença, que vem acometendo a população da capital sergipana desde 2011.

O primeiro diagnóstico e tratamento foi realizado em 2011, pelo médico Roque Pacheco de Almeida, professor da Universidade Federal de Sergipe, além de pesquisador e médico do hospital universitário/EBSERH de Aracaju.

A pesquisa motivou pesquisadores da USP, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Sergipe (UFS). O resultado da pesquisa foi publicado na revista “Emerging Infectious Diseases”. A análise do genoma constatou que o parasita não pertence ao gênero Leishmania, o causador da Leishmaniose.

Uma doença emergente, com sintomas parecidos aos da Leishmaniose visceral. Seus sintomas são mais grave e resistente a tratamentos, ela é provocada por um parasita até então desconhecido. A mesma, já infectou cerca de 150 pessoas e matou ao menos uma delas.

“Identificamos um parasita novo, uma doença nova, que causa uma doença grave e com resposta terapêutica não totalmente suficiente ou eficaz. Queremos entender a extensão disso e de onde apareceu esse parasita, se foi uma mutação. Tem uma linha grande de pesquisa para a gente investigar. Também queremos ver, geograficamente, para onde está se expandindo o parasita”, disse o médico Roque Pacheco de Almeida, para o jornal Gazeta do povo.

Doença similar à Leishmaniose é o novo inimigo da saúde

Os sintomas, são muito parecidos aos do calazar (nome mais popular da Leishmaniose visceral), mas evoluem com mais gravidade.

“A gente trata muitos pacientes com calazar aqui. Um desses pacientes não respondeu ao tratamento. Ele recidivou (a doença reapareceu), tratamos novamente, recidivou de novo. E, na terceira recidiva, apareceram lesões na pele. Em pacientes sem HIV não vemos isso. Ele não tinha HIV e apareceram lesões na pele, pelo corpo inteiro, tipo botões, que chamamos de pápulas”, contou o médico Roque Pacheco de Almeida, em entrevista à Agência Brasil.

O novo parasita se assemelha ao Crithidia fasciculata, que infecta apenas insetos e que é incapaz de infectar mamíferos. No entanto, essa nova espécie de parasita foi capaz de infectar humanos e camundongos.

— Estamos desenvolvendo testes moleculares para a identificação específica do novo parasita. Queremos saber se esta espécie é endêmica da área de Sergipe ou se está distribuída pelo país — explica Sandra, que contou com o financiamento à pesquisa de apoio Jovem Pesquisador Fapesp, para o jornal O Globo.

Para Sandra, as mudanças climáticas contribuirão para a difusão da doença, já que os insetos, que são vetores da enfermidade, têm seu ciclo de vida influenciado pelo aquecimento global e pela urbanização.

Os pesquisadores esperam, em breve, conseguir descrever o novo parasita e nomear a nova doença. 

Primeiro caso

O primeiro caso foi identificado em 2011, em Aracaju (Sergipe). Um homem de 60 anos, com sintomas de Leishmaniose visceralpdeu entrada no hospital já em estado grave.

Ele não respondeu aos tratamentos convencionais, com quatro recidivas que resultaram em novas internações”, explicou, em comunicado à imprensa, Roque Pacheco Almeida, imunologista da Universidade Federal do Sergipe (UFS), ao site Abril. “Em mais de 30 anos trabalhando com Leishmaniose, com mais de 11 mil indivíduos diagnosticados, nunca tinha visto nada parecido”, destaca o médico.

O homem em questão apresentou ainda lesões de pele características de outro tipo de Leishmaniose, a tegumentar, que geralmente é mais branda. Ele acabou morrendo em 2012.

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