Saúde

Na pandemia, mulheres têm mais ansiedade do que homens

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 8 de outubro de 2020
Na pandemia, mulheres têm mais ansiedade do que homens

A Plataforma Gente, divulgou em setembro, um estudo sobre as preocupações e comportamentos dos brasileiros durante a pandemia, especialmente, das mulheres. A plataforma traz dados de outra pesquisa feita pelo Instituto Ipsos (terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo) em 16 países. Tal estudo evidenciou que os brasileiros são líderes em ansiedade, alimentação em excesso e enxaquecas no contexto da pandemia. Todos esses fatores são ainda mais intensos nas mulheres.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo desde 2017. Com a pandemia, esse quadro piorou e a busca por assuntos relacionados à ansiedade está na maior alta já vista no país.

Com base nos dados coletados, 33% dos homens estão ansiosos e quase metade das mulheres dizem também se sentir assim (49%). E a ansiedade gera outros problemas. Como insônia, que está presente na vida de 33% das mulheres, contra 19% dos homens; a enxaqueca, um sintoma de 18% das mulheres e apenas de 9% dos homens e, por fim, a alimentação excessiva, que ocorre em 42% das mulheres e 36% dos homens.  A discrepância dos dados entre o público masculino e feminino chama a atenção dos especialistas.

Por que as mulheres são mais afetadas?

Segundo Nina Taboada, psicóloga e mestre em Psicologia Cognitiva pela UFSC, em entrevista ao Uol, “As mulheres são, sim, mais afetadas pelas crises. Mas não se trata de uma questão biológica, e sim emocional. Mesmo entre as mulheres que vivem em casas onde a divisão de tarefas é feita de maneira igual entre homem e mulher, normalmente essa divisão se refere mais à execução das atividades, e não da gestão. Ou seja, o ato de pensar, planejar e de tomar decisões recai sobre as mulheres. É uma questão que foi socialmente construída dessa maneira. No cenário da pandemia, as mulheres acabaram cuidando da saúde das pessoas da casa, do planejamento alimentar e até dessa própria divisão das tarefas. Isso explica os números tão altos de ansiedade”.

Outros fatores também são explicados por Marcela Oliveira, especialista em comportamento do consumidor da área de pesquisa da Globo. “Existe ainda o fato de mais de 11 milhões de famílias terem mães solo como chefe de família, muitas vezes sem outras pessoas com quem compartilhar o trabalho doméstico. E muitas mulheres contavam com ajuda de outras mulheres – além de parentes, creches ou escolas – para darem conta da múltipla jornada que vivem. Com o distanciamento social, acumularam funções, gerando sobrecarga”.

A especialista também pontua que as mulheres são maioria entre os profissionais de cargos mais vulneráveis. Como enfermeiras, cuidadoras e trabalhadoras domésticas, que não podem cumprir o isolamento. Além de estarem mais propensas ao trabalho informal do que os homens.

Consequências a longo prazo

O aumento vigoroso dos níveis de ansiedade pode gerar problemas ainda mais graves na sociedade pós-pandemia, aponta o estudo. De alguma forma, os desdobramentos emocionais vão permanecer mesmo após o esvaziamento das UTIs lotadas, afetando as relações familiares e sociais. 

Por fim, ainda que grande parte dos estados brasileiros já tenham medidas de flexibilização da quarentena, 82% dos entrevistados disseram não ter segurança para voltar a vida como era antes. Entre os principais fatores de preocupação dos brasileiros, podem ser destacado: os efeitos na saúde pública e o medo da contaminação/morte pela doença. Ademais, 80% afirma que a crise do novo coronavírus as deixaram mais preocupadas com o futuro.

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