Surge novo tratamento contra câncer de mama que aumenta sobrevida

Um novo tratamento contra o câncer de mama demonstrou ser capaz de, em casos de tumor metastático (a fase mais severa e avançada da doença), adiar a necessidade de quimioterapia em até quatro anos.

Um estudo publicado no JAMA Oncology descobriu uma nova combinação de medicamentos para o câncer de mama metastático capaz de aumentar em até 10 meses a taxa global de sobrevida.

Esses resultados são muito impactantes. A nova combinação permite que, mesmo com doença metastática, as pacientes vivam mais e com qualidade de vida. Além disso, elas conseguem adiar o uso da quimioterapia por períodos mais longos e têm a conveniência de tomar a medicação em casa”. Foi o que declarou Gilberto Amorim, coordenador nacional de Oncologia Mamária na Oncologia D’Or, a VEJA. 

A nova combinação é indicada para pacientes com câncer de mama metastático que já tenham falhado em tratamento anterior com anti-hormônios. De acordo com Amorim, para o portal PEBMED, pode ser que no futuro, seja possível acioná-la para o tratamento inicial desse estágio do câncer.

Novo tratamento contra câncer de mama adia quimioterapia por até quatro anos

De acordo com a pesquisa, a junção dos medicamentos conseguiu reduzir em 25% o risco de morte entre pacientes que já haviam falhado em uma terapia endócrina prévia. Esse resultado é possível porque o abemaciclibe inibe a produção da enzima ciclina, fundamental para o processo de divisão celular. Uma vez que essa enzima deixa de ser produzida, há interrupção do ciclo celular, o que impede a proliferação de células tumorais e, consequentemente, leva à morte das células doentes.

Já o fuvestranto retira o estímulo hormonal para que elas não se proliferem ao mesmo tempo em que bloqueia o mecanismo de divisão celular. “Por isso a combinação funciona tão bem”, comenta Amorim. O oncologista esclarece também que os resultados variam de acordo com o paciente já que cada organismo opera de forma diferente. “Alguns podem responder por menos tempo e outros sequer vão responder”, diz.

As novas descobertas foram apresentadas no Congresso da Sociedade Europeia de Medicina Oncológica (ESMO), que aconteceu em Barcelona, na Espanha, entre os dias 27 de setembro e 1º de outubro.

As pessoas devem solicitar o acesso ao remédio para o plano de saúde, mesmo que tenham de entrar na justiça para consegui-lo. Os resultados são significativos na vida do paciente”, ressalta Amorim. O especialista espera que a substância entre na lista da OMS em 2021, o que deve facilitar sua obtenção.

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