Sistema de saúde pública do Brasil tem maior abrangência que a dos EUA

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma referência quanto a política pública. Assim sendo, o Brasil é o único país com mais de 200 milhões de habitantes que tem um sistema de saúde público e gratuito. E como resultado, o SUS foi estudado e replicado em diversas partes do mundo. Ao contrário dos Estados Unidos, parceiro do Brasil em várias organizações internacionais, que não possui um sistema de saúde pública. Dessa forma, devido aos atendimentos médicos serem caros, os cidadãos evitam de qualquer maneira irem até o ambiente hospitalar privado. 

A princípio, antes da existência do SUS, a saúde pública no Brasil era responsabilidade do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps). Criado em 1977, o Inamps era ligado ao Ministério da Previdência e Assistência Social e fornecia atendimento somente a população formada por aqueles que trabalhavam em empregos formais e contribuíam com a Previdência Social.

Segundo dados do IBGE, as pessoas desempregadas representavam 7,1% da população. E como resultado, essa parcela era obrigada a recorrer ao sistema privado ou aos poucos serviços municipais, estaduais e de instituições assistencialistas, como Santas Casas de Misericórdia ou hospitais universitários.

Em 1993, o Inamps foi extinto em meio a um processo gradual de implementação da saúde pública integral e universal. Esse processo vinha sendo construído antes da criação do SUS por meio de uma série de projetos que culminaram no sistema implantado hoje.

Criação do SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária, até o transplante de órgãos. O SUS garante acesso integral, universal e gratuito para toda a população do país. 

Com a sua criação, o SUS proporcionou o acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação. A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros. O sistema não apenas acompanha uma gestação como também auxilia por toda a vida o cidadão, com foco na qualidade e sempre visando a prevenção e a promoção da saúde.

No Brasil, os cidadãos têm o direito de usar o Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, nos Estados Unidos, a única forma de receber atendimento é pagando um convênio particular. Pessoas abaixo da linha de pobreza e idosos são os únicos beneficiados por serviços gratuitos como o Medicare e Medicaid, que prestam apenas atendimentos mais simples e de emergência.

Nos Estados Unidos o sistema de saúde pública não é abrangente

Os Estados Unidos adotam o sistema federalista, o que significa que os estados têm bastante autonomia para criar regras e leis próprias. Portanto, cada estado oferece diferentes tipos de coberturas de saúde e regula o funcionamento dos convênios médicos em seus territórios. Em todo o país, há clínicas e hospitais particulares e públicos. As provedoras de seguro geralmente são empresas privadas separadas dessas instituições.

A forma mais comum de obter um plano de saúde nos Estados Unidos é trabalhando em uma empresa que ofereça o benefício aos funcionários. No entanto, grande parte dos americanos não é beneficiada por essa prática e não tem dinheiro suficiente para pagar um convênio.

Em 2007, 46 milhões de pessoas não tinham seguro, de acordo com dados do Census Bureau divulgados pela BBC. Após a criação do Obamacare, esse número vem caindo. Em 2016, 28 milhões não tinham convênio médico. Os que não o possuem enfrentam dificuldades quando precisam arcar com cuidados médicos. Tratar uma perna quebrada, por exemplo, pode custar US$ 7.500, mais de R$ 30.000 na cotação atual. Dependendo da complexidade do atendimento necessário, é possível ir à falência.

Como o sistema de saúde público nos Estados Unidos não contempla toda a população, os cidadãos ficam sem outra opção além de obrigatoriamente contratar um convênio particular para garantir seus cuidados médicos. O Obamacare se propõe a regulamentar parte das práticas, evitando, por exemplo, que as empresas neguem seguro para pessoas com problemas de saúde pré-existentes.

Além disso, muitos estadunidenses deixam de ir ao médico para não ter que arcar com dívidas, tanto os que não têm convênio, quanto os que têm. A cobertura médica oferecida pelas empresas privadas nunca é completa. Sendo assim, sem prevenção, os cidadãos só recorrem aos cuidados médicos quando a situação já é grave.

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