Paciente 4.0: descubra quem é e o que ele quer

O paciente 4.0 tornou-se um “agente 4.0”, muito mais informado para argumentar e discutir sobre tratamento. A decisão consentida, em que o médico apresentava a ele uma opinião especializada, esperando apenas que fosse aceita ou não, está cada dia mais no passado. Evoluímos para a decisão compartilhada, na qual a opinião do médico, baseada em evidências, é também influenciada pelo paciente, que divide suas preferências e valores. O processo de decisão de um tratamento começa, assim, na evidência científica e termina em quem recebe atendimento.

Uma análise feita pela Bites, empresa de inteligência de dados, apontou que são feitas 60,5 mil buscas por mês sobre câncer. Mas o interesse pela doença aumenta após o diagnóstico, já que há um crescimento nas buscas por tipos específicos de tumores.

No segundo semestre de 2019, o instituto Lado a Lado pela vida, em parceria com a SAÚDE, realizou uma pesquisa com 2.405 pessoas de todas as regiões do Brasil e 56% afirmaram que se informam sobre saúde com o médico, 53% no Google, 38% em sites de notícias e 34% pelas redes sociais.

A dona de casa Maria Odete, 40 anos, disse que se automedica apenas em casos que ela considera rotineiro, dores de garganta, febre e resfriado.

Não vejo nada de errado. Tendo em vista o grau da doença ou do processo. Não sou contra quem se automedica, porém não apoio e não faço isso“, disse Elizangela Costa, 45 anos, técnica de enfermagem.

No hospital, as queixas mais comuns dos pacientes são dor de garganta, resfriado, alergia e tosse“, concluiu Elizangela.

Paciente 4.0 e a saúde 4.0

O conceito está relacionado à integração de ferramentas tecnológicas com a medicina e envolve mecanismos automatizados, como os sistemas de gestão para consultórios médicos.

Um bom receituário, um bom medicamento, uma cirurgia bem sucedida, um exame bem feito, esses são os serviços oferecidos, mas o paciente 4.0 e a saúde 4.0 anseia por mais. O paciente está cada vez mais a par dos assuntos relacionados à sua saúde.

Mais de 70% da população brasileira não tem plano de saúde, a maioria não tem acesso a dentista, mas essa população é sedenta por informação. A internet acaba sendo um dos únicos recursos para as classes C, D e E“, afirma Fabiana Kawahara, gerente de Insights e Analytics do Google Brasil, para a revista Exame.

Paciente e a amizade com o Dr. Google

O Dr. Google, como vem sendo chamado, não é formado em Medicina nem sequer humano, mas 26% dos brasileiros recorrem primeiramente a ele ao se deparar com um problema de saúde. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Estado, revela que o Brasil é o país em que as buscas referentes à saúde mais cresceram no mundo no último ano. A alta também foi maior do que a média de buscas em outras categorias dentro do Brasil. Enquanto as pesquisas de saúde cresceram 17,3%, as de cuidados com cabelos aumentou apenas 3% e as de maquiagem caíram 4%.

Hoje em dia, a internet traz respostas para tudo, mas nem sempre as respostas são as mais adequadas ou compatíveis com aquele paciente ou aquela situação. O médico, conhecendo o histórico do paciente e o resultado de todos os exames, será a única pessoa que poderá analisar e interpretar os resultados de maneira adequada“, explica o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião oncológico especializado em doenças do peritônio, para o site Diário Litoral.

O cenário, ao mesmo tempo que ajuda a democratizar a informação e dar autonomia ao paciente, traz também riscos e prejuízos. O aumento nas buscas de saúde leva alguns brasileiros a adotarem práticas ou tratamentos sem evidência científica. Outro problema é o surgimento dos cibercondríacos, a pessoa se baseia em informações da internet. Logo, ela fica obsessiva ou angustiada com a ideia de ter uma doença grave.

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