Belford Roxo: Aumento da violência aterroriza moradores

Belford Roxo, um município da Baixada Fluminense amedrontado e aterrorizado pela violência, viu no último sábado (29) um motivo para que os habitantes passassem a ter ainda mais medo. Dessa forma, assustando ainda mais quem reside e quem precisa circular pelo município. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a Área Integrada de Segurança Pública (AISP) do município é a líder no número de homicídios dolosos em todo o estado este ano. Até agora foram registrados 5,36% de crimes desse modo, no ano passado o número no mesmo período era de 3,89%.

De acordo com o delegado aposentado da Polícia Federal, Antonio Rayol, esse crescimento se deve a baixa presença de agentes, tanto policiais militares quanto civis, e de investimento e alta densidade populacional. Rayol afirma que: “Esses três itens compõem a receita para a tragédia e se explica os casos recentes de violência na Baixada Fluminense. São cidades onde há carência do governo e de segurança pública, com baixíssimo investimento comparado com outros lugares do Rio.”

Ainda assim, Rayol ressalta que com a combinação entre baixo efetivo de policiais nas ruas e também nas delegacias para solucionar os crimes, os criminosos se sentem à vontade para agir. “Com a baixa investigação e solucionamento dos casos, eles se alimentam dessa sensação de impunidade. Por isso, agem, pois acreditam que não serão apanhados. Vira uma terra de ninguém.” Salientou Rayol.

Na prática, número de militares é abaixo do mínimo para o município

De acordo com dados de vistorias realizadas pelo Ministério Público no primeiro semestre do ano passado, no 39° BPM (Belford Roxo), o número previsto de militares é de 539. No entanto, a quantidade existente chega apenas a 361 militares. “Isso ainda diminui, pois se deve levar em consideração os agentes que ficam alocados para atividade administrativa.” Ressaltou Rayol.

Chacina ocorrida no último fim de semana em Belford Roxo evidencia o sentimento de insegurança dos munícipes

De acordo com testemunhas, por volta das 21h, homens encapuzados e armados com fuzis e pistolas desceram de um carro branco, ainda não identificado, e dispararam vários tiros na direção do bar Rei do Peixe.

“Ouvi os tiros, fiquei assustada e me preocupei porque sabia que tinha parentes meus no bar. Assim que o barulho cessou corri para o local e quando cheguei lá me deparei com uma cena horrível. As pessoas estavam apavoradas.” Afirmou um familiar de uma das vítimas, que não se identificou. Depois do crime, os criminosos fugiram em direção ao Posto 13, em Nova Iguaçu.

Morreram no local, Elaine Menezes, de 36 anos, Fabrine Regiane Marques, de 25 anos, Jorge Vitor, que era músico e estava participando de um show no bar quando o crime ocorreu. Além disso, um outro homem ainda não identificado também está entre os mortos.

A irmã de Fabrine, uma das vítimas da chacina, afirma que foi um baque o momento em que soube pela internet da morte da irmã. Fernanda Marques, 32, contou sobre: “Eu fiquei sabendo pela internet. Postaram uma foto dela morta e aí eu reconheci ela. Foi um choque. Ela tinha saído para se divertir e aconteceu isso.” Fernanda ainda informa que a irmã deixou quatro filhos, sendo o mais novo, de apenas 8 meses de idade.

Elaine já era frequentadora do Bar Rei do Peixe, e na noite do último sábado, estava com a mãe, Fátima Pessanha, 58, que pela primeira vez ia ao local. “Era um local familiar, tanto que minha mãe estava com ela. Minha irmã ia sempre lá.” Afirmou Paulo Angelo Ramos Junior, 34. Fátima foi ferida no ombro e no tórax e está internada no Hospital Geral de Nova Iguaçu. O estado dela é estável.

Músico de banda de pagode que se apresentava no bar também está entre os mortos

Pela rede social, a banda Nosso Grupo lamentou a morte do percussionista da banda. “Então gente os meninos do ‘Nosso Grupo’ estão bem, em parte, pois perdemos um grande amigo e músico. Jorge estava trabalhando junto com a gente nesse momento. Estamos muito abalados e destruídos pelo acontecido. Lamentamos por toda essa covardia. Até quando essa violência irá atingir pessoas de bem?!”, Informava um dos comunicados oficiais.

Antes do tiroteio no bar, o grupo chegou a fazer uma transmissão ao vivo no Facebook. Em nota, a prefeitura de Belford Roxo lamentou o crime e se solidarizou com as famílias das vítimas. “Mesmo sendo a segurança competência do governo estadual, o município vem buscando diminuir a violência solicitando, entre outras coisas, o aumento do efetivo do Batalhão de Polícia Militar.” Informou a nota da prefeitura.

Potencial alvo dos criminosos seria um miliciano

O crime teria como motivação, a guerra entre o tráfico de drogas e a milícia que atua na região. Moradores afirmam que o alvo seria um miliciano de vulgo “Balrog”, apontado como membro da milícia do bairro Nova Aurora. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) não deu até o momento, esclarecimentos sobre a motivação e suspeitos do crime.

Além de Belford Roxo e Baixada Fluminense, região metropolitana também sofre com disparada da violência

Há cerca de um mês, outro ataque a um bar em São Gonçalo, resultou em 4 mortos e 7 feridos. Esse crime ocorreu á 26 de maio, no bairro Porto Velho. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG).

Já em março, duas pessoas morreram e uma ficou ferida, também em Belford Roxo, de acordo com a polícia, homens atiraram enquanto circulavam com uma moto.

Também em Belford Roxo, no último mês de dezembro, seis pessoas foram baleadas no bairro da Prata, no local conhecido como Igrejinha. Homens passaram em um carro em alta velocidade atirando contra as pessoas, que se encontravam sentadas na calçada de um bar.

Esses casos estão sendo investigados pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

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