Banco Central quer unificar saque em caixas eletrônicos

O Banco Central (BC) tem o objetivo de que com essa mudança, além de instituições físicas, os clientes de instituições financeiras digitais também possam sacar dinheiro de qualquer caixa eletrônico. Desde o último dia 16, há uma consulta pública aberta para mudança no regulamento para saque e aporte no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

Uma das mudanças seria a de se comunicar de forma mais transparente, assim chamada a capacidade de um banco de acessar serviços no caixa eletrônico de outro. “Embora os caixas eletrônicos e assemelhados não sejam as únicas formas de ingresso e de saque dos recursos nessas contas, o dinheiro ainda é a forma de pagamento utilizada com maior frequência por cerca de 60% da população brasileira, o que sugere que a demanda por saque e por aporte em espécie ainda persistirá por um certo tempo”, explicou o BC em nota ao site CanalTech. 

Há evidências de que os bancos digitais, os emissores de moeda eletrônica e mesmo bancos tradicionais de menor porte, por não disporem (ou disporem de forma muito limitada) de canais de atendimento presenciais, têm enfrentado custos elevados para dar acesso a esses serviços para seus clientes”, concluiu o BC. 

O órgão também explica que, atualmente, custos e tarifas não são regulamentadas pelo BC, sendo que esta é uma mudança que a consulta pública propõe. Além disso, a medida pretende fazer com que instituições menores possam ganhar mais espaço em concorrência no mercado. 

Banco Central determina contas isentas de tarifas

Tarifa bancária é uma espécie de cofrinho ao contrário. Sem perceber, o correntista vai perdendo um pouquinho a cada mês e, no fim do ano, gastou um valor significativo. Os bancos são obrigados a oferecer contas isentas de cobrança, segundo a Resolução n° 3.919/2010. A desvantagem são os limites de serviços impostos.

O surgimento das fintechs ainda não provocou queda nos preços das tarifas nos grandes bancos.  A última pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que o reajuste médio foi de 14% entre abril de 2017 a março de 2019. O Idec analisou 70 pacotes de serviços ofertados pelo Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander. A alta foi quase o dobro da inflação do país no período, 7,4%.

A portabilidade bancária existe desde 2007 e foi aprimorada pelo Banco Central, em 2018, com resolução que proíbe a cobrança de tarifa do cliente que transfere a conta-salário para outro banco. O primeiro passo para mudar é abrir a conta em outra instituição e, em seguida, transferir o dinheiro. Os débitos automáticos devem ser cancelados na antiga conta e reativados na nova para evitar ficar no negativo.  Quando for fechar a conta antiga, exija do banco um protocolo da solicitação. Depois dessa etapa, a instituição financeira não poderá mais cobrar tarifas e terá 30 dias para fechar a sua conta de maneira definitiva.

Banco digital avança, mas ainda é conta secundária

Banco sem tijolo — Foto: Arte/Valor

Um terço dos brasileiros bancarizados já é cliente de algum banco digital. No entanto, em apenas 9% dos casos as pessoas têm num “neobanco” sua conta principal. Os dados são de estudo feito pela consultoria Kantar, e mostram que as fintechs ainda têm um longo caminho a percorrer para arrebanhar uma fatia mais relevante do mercado.

O Nubank é o caso de maior sucesso no mercado brasileiro, 28% da população bancarizada tem conta na fintech. Uma parcela de 11% é cliente do Banco Inter, e 4% têm conta no Next, criado pelo Bradesco.

Mas, na hora de usar a conta, as instituições convencionais ainda levam vantagem. No Brasil, quem tem conta num neobanco deixa, em média, 40% de seu dinheiro na fintech e 60% num banco incumbente.

Segundo a consultoria, essas instituições podem perder relevância não apenas para fintechs, mas também para concorrentes do mundo físico que conseguirem oferecer uma melhor experiência para seus clientes. “Os incumbentes proporcionam solidez, mas precisam combinar isso com uma oferta melhor e uma marca que tenha mais apelo para os clientes”, afirma Tomyia, para o site Globo.

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