Tecnologia

Pesquisadora brasileira bate recorde de velocidade de internet

Karen de Souza Venancio
Escrito por Karen de Souza Venancio em 23 de setembro de 2020
Pesquisadora brasileira bate recorde de velocidade de internet

Uma pesquisa realizada durante dois anos por cientistas da University College de Londres (UCL), estabeleceu o recorde de velocidade de internet por fibra óptica. A equipe liderada pela professora e pesquisadora brasileira Lídia Galdino atingiu uma taxa de transmissão de dados de 178 terabytes por segundo. Tal feito permite, por exemplo, o download de toda a biblioteca da Netflix em menos de um segundo.

O recorde obtido pelo laboratório da UCL é o dobro da capacidade de qualquer sistema implantado atualmente no mundo. Ultrapassando assim, o recorde anterior obtido por uma equipe japonesa, que em 2018 chegou a 150,3 terabytes por segundo.

Imagem: James Tye/UCL/Divulgação

A pesquisa

Para atingir esse novo patamar de conexão de internet, a equipe coordenada por Lídia desenvolveu um amplificador que aumenta a potência de sinal e maximiza a velocidade. Através desse dispositivo é possível alterar o brilho e a polarização de luz, manipulando as propriedade de cada onda individual. 

“A infraestrutura atual de fibras óticas usa uma faixa restrita de frequências de luz para transportar as informações, devido às limitações da largura de banda das tecnologias atuais. Nós conseguimos o recorde porque usamos diferentes tecnologias de amplificadores óticos que possibilitaram dobrar a extensão de frequências de luz, explicou Galdino em entrevista ao portal Tilt.

Outro ponto que colaborou com a pesquisa foi o desenvolvimento de algoritmos que auxiliam no melhor uso dessas propriedade da luz e aumentam a velocidade de cada frequência transmitida.

A implementação

Segundo o estudo, o benefício desse trabalho é a redução nos custos pela possibilidade de utilizar a infraestrutura já existente. Sendo necessário apenas atualizar os amplificadores que estão localizados nas rotas de fibra ótica. Isso, geralmente em intervalos de 40 a 100 quilômetros. De acordo com o levantamento feito, a atualização na rede teria o custo aproximado de 16  mil libras. O equivalente a cerca de R$ 112 mil, na cotação atual. Comparado com a instalação de novas fibras óticas que custam até 450 mil libras (R$ 3, 12 milhões) por quilômetro em zonas urbanas, a implementação seria mais barata.

Vale ressaltar que essa velocidade de internet não foi feita para chegar diretamente no consumidor final, mas sim para atender uma infraestrutura central. A pesquisadora explica que, “todo esse crescimento na demanda de dados está relacionado à redução do custo por bit. O desenvolvimento de novas tecnologias é crucial para manter essa tendência de redução de custos e, ao mesmo tempo, atender às demandas futuras de taxas de dados, que continuarão a aumentar, com aplicativos ainda não pensados que transformarão a vida das pessoas”.

Ela também destaca que pesquisas como essa são fundamentais para a implementação da internet 5G, que afetará significativamente a infraestrutura global de cabos de fibras óticas. 

“As metas de desempenho de rede do 5G são fortemente baseadas na disponibilidade de fibra, e em grande quantidade, para as premissas da antena. Portanto, alta velocidade de transmissão em redes de cabos de fibras óticas será fundamental para apoiar essas redes”, afirmou ela.

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